Paraná ganha novos parques estaduais
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quarta-feira, 05 de junho de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Paraná ganhou, ontem, quatro novos parques estaduais, somando 7,8 mil hectares de ecossistemas de floresta atlântica costeira e de floresta com araucária. Outros dois parques estaduais tiveram suas áreas ampliadas num total de 810 hectares. Com isso, o Paraná passa a contar com um total de 2,2 milhões de áreas protegidas em parques, reservas ambientais e propriedades particulares, sendo 1,18 milhão de hectares distribuído em 63 unidades de conservação estadual, e 1 milhão nas nove unidades federais.
A criação destes parques era uma reivindicação antiga de ambientalistas. Como todo brasileiro, a gente sabe que as coisas acontecem lentamente. Mas finalmente aconteceu, dizia o montanhista Henrique Schmidlin, de 72 anos, conhecido por todos como Vitamina, após a solenidade de assinatura dos decretos pelo governador do Estado, Jaime Lerner (PFL). Ele conta que desde 1942 vem lutando pela preservação do Pico do Paraná e da Serra da Baitaca que abrange o Morro do Anhangava. Além destes, os outros dois decretos instituem o Parque Ilha do Mel e o Parque Estadual Professor Jsosé Wachowicz, localizado em Araucária, na região metropolitana.
Segundo a diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Marese Muchailh, as 63 áreas de conservação estaduais protegem todos os tipos de ecossistemas do Estado, como a Mata Atlântica, as florestas semi-residuais (típicas da vegetação às margens do Rio Paraná, no Oeste), áreas de campos e cerrados. Aumentar a conservação dos Campos Gerais e sua biodiversidade, de acordo com Marese, foi uma das preocupações do governo.
Um dos decretos assinados determina a ampliação em mais 681 hectares a área do Parque Estadual de Vila Velha. em Ponta Grossa. Com isso, o parque passa a ter 3,8 mil hectares. Outra unidade a ser ampliada é o Parque Estadual de Campinhos, em Tunas do Paraná (Região Nordeste). Primeiro parque estadual criado no Brasil com objetivo de proteger ecossistemas de cavernas, Campinhos foi ampliado em 129 hectares passando a ter 337 hectares.
O ambientalista José Álvaro Carneiro criticou, no entanto, a morosidade do governo na área ambiental. É como se depois de oito meses de noivado, o governo resolvesse dar o beijo de casamento, disse, lembrando que Vila Velha só está sendo revitalizada porque o governo perdeu uma ação do ambientalista João José Bigarella, e teve que demolir tudo o que tinha feito no local. Ele ressaltou, ainda, a atuação incansável das entidades de montanhistas e de ambientalistas de Araucária para garantir a preservação das outras áreas transformadas em parques. Carneiro criticou, também o fato de menos de 2% da área do Estado estar sob leis de proteção.
Já o ambientalista Paulo Bizzi ressaltou a importância dos planos de manejo que o governo vem fazendo nas áreas de proteção ambiental. Estão previstos investimentos de R$ 1,3 milhão neste trabalho e até o final do ano a expectativa é que 26 unidades tenham os estudos realizados. O plano de manejo vem diagnosticar a situação ambiental de cada uma das unidades e propor soluções para melhor administração das áreas.


