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Albari Rosa/Folha de LondrinaPreferência por bebêsLúcia Kossobudzki: ‘‘Queremos mostrar que não é preciso adotar um bebê para conquistar a oportunidade de repartir o que se tem, material e afetivamente’’A exemplo do que já ocorre em vários outros Estados, o Paraná tem agora um grupo de apoio à adoção de crianças. São psicólogos, advogados e pessoas que já têm filhos adotivos, todos empenhados em orientar famílias interessadas em adotar crianças. A prioridade é incentivar a adoção de crianças mais velhas, negras ou com problemas de saúde, geralmente preteridas em favor das brancas e recém-nascidas.
O trabalho - batizado de Projeto Recriar: Família e Adoção - nasceu da iniciativa das professoras Lídia Weber e Lúcia Kossobudzki, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, que há vários anos fazem pesquisas na área. Elas lembram que a nova entidade surge no momento em que o Estatuto da Criança e do Adolescente completa sete anos, sem ter cumprido vários de seus princípios - entre eles o de que toda criança e adolescente tem o direito de viver em família e em comunidade.
Nas pesquisas realizadas em 1994 em instituições de abrigo de menores em todo o Paraná, as professoras constataram a existência de 1.400 crianças e adolescentes afastados das famílias. Dessas crianças, apenas 5,4% eram órfãs. As demais foram deixadas nas instituições pelas próprias famílias, geralmente por dificuldades financeiras.
‘‘A maior parte é deixada nas instituições com sete anos de idade ou mais’’, afirma Lúcia, que preside o Projeto Recriar. Embora o Estatuto determine que o período máximo de internação é de três anos, há centenas de casos em que os menores ficam cinco, dez e até 15 anos institucionalizados.
A professora diz que ‘‘para bebês não faltam pais, mas para essas crianças mais velhas, a possibilidade de encontrar um lar é pequena’’. O Projeto Recriar pretende mudar essa mentalidade. ‘‘Queremos mostrar que não é preciso adotar um bebê para conquistar a oportunidade de repartir o que se tem, material e afetivamente’’, afirma Lúcia.
Segundo ela, outra idéia errada que o projeto pretende derrubar é a de que filhos adotivos são mais sujeitos a apresentar problemas, entre eles de relacionamento, do que filhos biológicos. ‘‘O risco é o mesmo e nossa pesquisa tem depoimentos de famílias que adotaram crianças mais velhas e viveram experiências gratificantes’’, afirma.
O projeto pretende ainda esclarecer os candidatos à adoção sobre aspectos jurídicos, éticos, psicológicos e científicos do processo, em sintonia com a 2ª Vara da Infância e da Juventude de Curitiba. As pessoas interessadas em participar das reuniões do grupo podem telefonar para (041) 252-5162. O projeto também edita um boletim mensal, aberto a colaborações.

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