Paraná fecha último educandário
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Maigue Gueths<br>De Curitiba 
Só depois de 11 anos desde a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, o governo do Estado está conseguindo cumprir o item que prevê a substituição dos grandes educandários para menores órfãos ou abandonados por casas-lares, administrados em regime familiar. Ontem, a secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, inaugurou duas casas-lares, iniciando a transferência de 41 menores que estão no último grande abrigo do Paraná, o Caetano Munhoz da Rocha, situado em Curitiba, que fechou definitivamente suas portas.
''Até que não foi tão demorado assim, porque um projeto desses leva tempo'', disse a secretária. O Paraná tinha nove grandes educandários, que foram fechados, em Piraí do Sul, Castro, Tibagi, Guaratuba, Marechal Mallet, Arapoti, além das instituições de Curitiba (Hermínia Lupion, Ivone Pimentel, Centro de Reabilitação Alcindo Fanaya e Avelino Vieira). A intenção, segundo a secretária, é que o município de Curitiba assuma o Caetano Munhoz da Rocha para fazer um local destinado à educação extra-escolar de crianças e adolescentes.
Segundo Fani Lerner, para mudar essas estruturas, o Estado enfrentou diversas dificuldades, como a falta de recursos, necessidade de fechar parcerias com instituições e empresas para os empreendimentos, convencimento das prefeituras para que assumissem as antigas estruturas de seus municípios, e aprovação de projetos pela Assembléia Legislativa.
Nesta primeira etapa, 16 crianças serão transferidas para as casas. As restantes serão transferidas para casas da Associação Cristianismo Decidido de Assistência Social (Acridas), uma organização não-governamental. O projeto completo prevê a construção de um condomínio, com seis casas, com previsão de entrega até julho do ano que vem, quando essas crianças e adolescentes também serão definitivamente instalados. O gerenciamento das casas ficou a cargo da Acridas.
Com o novo condomínio, o Estado terá 120 casas-lares, além de 34 abrigos e 21 casas de passagem. A maioria dos abrigados é menor, encaminhado por decisão judicial e, principalmente, depois de terem sido vítimas de negligência familiar. O Caetano Munhoz da Rocha abriga, atualmente 41 crianças e adolescentes, sendo a maior parte composta por famílias com dois a sete filhos.
As casas-lares fazem parte do projeto João de Barro, que prevê a construção de residências para seis a oito menores, em parceria entre governo do Estado, Poder Judiciário, Ministério Público e Associação Comercial.


