Curitiba - Junto com o Rio de Janeiro e São Paulo, o Paraná é hoje um dos estados que mais compram animais silvestres e uma das principais portas de saída destes animais, traficados ilegalmente para outros países. Para melhorar a fiscalização e definir ações que reduzam esse tipo de crime no Estado, está sendo realizado desde ontem, em Curitiba, o 13º Workshop Nacional Animais Silvestres - Normatização e Controle. O evento termina hoje.
‘‘Esses estados se transformaram num entreposto para o tráfico’’, alertou Dener Giovanini, coordenador da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) –organização não-governamental que tem entre seus objetivos articular setores públicos, privados e a sociedade civil contra o comércio ilegal da fauna brasileira.
Foi por esse motivo que o Paraná foi escolhido pela segunda vez como sede do evento, que vem sendo realizado anualmente em vários estados desde 1999. O objetivo é capacitar delegados e agentes das polícias Civil e Militar, funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) das secretarias de Meio Ambiente, Procuradoria da República, dirigentes de ONGs e profissionais das ciências ambientais.
Segundo Giovanini, o Brasil é um dos países mais visados pelos traficantes em função de sua biodiversidade. ‘‘Aqui existem muitas espécies ameaçadas de extinção, que são as mais visadas pelos traficantes em função do alto preço’’, diz.
O tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilegal do mundo, só perdendo para o tráfico de armas e drogas. Estima-se que anualmente movimente, no mundo, de US$ 10 bilhões a 20 bilhões, sendo que o Brasil corresponderia de 5% a 15% do total, cerca de US$ 1,5 bilhão.
Para ter uma idéia sobre a dimensão do mercado, a arara-azul-de-lear –uma das mais visadas– chega a custar US$ 60 mil. Duas espécies existentes no Paraná, o mico-leão-dourado e o papagaio-de-cara-roxa custam US$ 20 mil e US$ 6 mil respectivamente.

mockup