O Paraná é campeão em desmatamento dos remanescentes florestais da Mata Atlântica, entre os 17 Estados brasileiros que abrigam a floresta. É o que revela o atlas divulgado ontem pela Fundação SOS Mata Atlântica, em Foz do Iguaçu. O diagnóstico coloca a vegetação nativa em risco de extinção caso continue o atual ritmo da devastação. O estudo demonstra que a cobertura florestal natural representa apenas 7,98% - ou 1.594.298 hectares em relação ao território paranaense. Cinco anos atrás, a floresta correspondia a 1.654.444 hectares, representando 8,28% da área do Paraná. Em relação à cobertura florestal original, a faixa preservada atualmente é de apenas 8,23%.
A condição do Paraná de maior desmatador está longe de ser alcançada pelos outros Estados com reservas da Mata Atlântica, alertou o diretor de relações institucionais da organização não-governamental, Mário Mantovani. Ele antecipou que os relatórios do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão em fechamento, porém dados preliminares já dão o indesejável título ao Paraná.
Entre 1995 e 2000, foram desmatados no Paraná 60.146 hectares de florestas naturais preservadas, ou seja, 3,63% do que havia em 1995, descreve o relatório divulgado pela primeira vez no Estado. ‘‘Desse total, 16.086 hectares representam um único fragmento de remanescentes florestais suprimidos, a maior extensão contínua desflorestada na Mata Atlântica desde o início do monitoramento.’’
Esse desflorestamento localizado é consequência da reforma agrária feita no município de Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a Oeste de Guarapuava). A área corresponde a 27% do total de desmatamentos ocorridos nos últimos cinco anos. Os maiores assentamentos da região são Ireno Alves dos Santos, com cerca de 900 famílias, e Marcos Freire, com 574 famílias. Além de Rio Bonito, os municípios que mais perderam remanescentes florestais no período de 1995 a 2000 foram Coronoel Domingos Soares (4.002 hecateres), Bituruna (2.838 ha), Guarapuava (2.697 ha), Nova Laranjeiras (1.813 ha), Mangueirinha (1.732 ha), Palmas (1.309 ha), Clevelândia (1.249 ha) e Condói (1.904 ha).
Segundo Mário Montovani, nesses municípios foi verificado que um grande número de agropecuaristas tem ampliado as propriedades rurais com planos de manejos ‘‘suspeitos’’. ‘‘O Paraná está assinando um atestado de óbito das araucárias (árvore-símbolo do Estado) da Mata Atlântica. Isso grita em nossa consciência’’, critica o ambientalista. Em contrapartida, o monitoramento constatou que o Parque Nacional do Iguaçu e a Serra do Mar apresentaram níveis razoáveis de preservação, apesar de já ser possível verificar o impacto ambiental na Estrada do Colono - que corta o Parque Nacional do Iguaçu.

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