Paraná é segundo em cirurgias bariátricas
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Ministério da Saúde informa: a oferta de cirurgias bariátricas - diminuição do tamanho do estômago para perda de peso - nos hospitais vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 542% desde que o procedimento passou a ser realizado pela rede pública, há oito anos.
Somente no ano passado foram realizadas 3.195 cirurgias, a um custo de R$ 15,736 milhões para o SUS. Em 2001, R$ 1,237 milhão foram gastos em 497 procedimentos, um crescimento de 1.765% em investimentos do governo federal. Conforme dados do Ministério, também aumentou o número de estabelecimentos habilitados a realizar a operação: 18, em 2001, para 58, em 2008.
Conforme dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, estima-se que o Brasil tenha 3,73 milhões de obesos mórbidos. A preconização do Ministério é para que antes de fazer a cirurgia, o paciente passe por uma avaliação clínica e cirúrgica e seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar durante dois anos. Nesse período, ele é submetido a uma dieta e, se os resultados não forem positivos, a cirurgia é recomendada.
O maior número de procedimentos foi realizado em mulheres: no ano passado foram 2.639 cirurgias em pacientes do sexo feminino e 556 entre os homens. Já o estado que mais realizou cirurgias foi São Paulo, com 1.068 procedimentos. O Paraná ficou em segundo, com 954, e Santa Catarina em terceiro, com 344.
Uma por semana
Em Londrina, a fila de espera pela redução de estômago supera mil pacientes, segundo a presidente da Associação dos Obesos de Londrina (Obesolon), Suelen Cristina dos Santos. Sem espaço para realizar as reuniões, a associação suspendeu temporariamente as atividades. Resultados negativos na campanha pelo cadastramento de mais um centro de referência em cirurgia bariátrica no município também desmotivaram os integrantes do Obesolon.
''Eu mesma fui buscar a cirurgia em Curitiba e semana que vem vou para lá me consultar com o especialista. Devo operar dentro de seis meses a um ano. Se esperasse para ser atendida em Londrina, a demora seria de até quatro anos'', comenta Suelen.
Com apenas 24 anos, ela não pode trabalhar devido ao peso: 170 quilos. Pressão alta, diabetes, falta de ar, inchaço nos pés e pernas, dores na coluna e preconceito são apenas alguns dos problemas enfrentados diariamente pela paciente, que começou a engordar em 2003, em decorrência de uma depressão. ''Depois da cirurgia vai ser tudo de bom. Além de perder peso e recuperar a saúde, vou recuperar também minha autoestima. Vou voltar a estudar e trabalhar e realizar todos os meus sonhos adiados pela obesidade.''
Conforme o cirurgião Marco Antônio Valesi, coordenador do setor de cirurgias bariátricas do Hospital Universitário (HU), único credenciado pelo SUS para realizar este procedimento no município, hoje, pelo menos 50 pacientes já estão preparados para a operação e outros 200 estão na fila do sistema pré-operatório, que inclui consultas com especialistas, como psicólogos e nutricionistas.
''Em Londrina, como em qualquer hospital escola credenciado no SUS, o número de cirurgias está aquém da demanda'', avalia Valesi, que tem conseguido realizar pelo menos uma cirurgia bariátrica por semana no HU. ''O ideal seriam quatro por semana, mas a falta de leitos, de UTIs, entre outros problemas, compromete o atendimento a estes pacientes.''


