Atualmente, 1.560 pessoas aguardam na fila por um transplante de córnea no Paraná. Hoje, no Dia Mundial da Visão, uma campanha pela doação de córneas terá atividades em todo o Brasil promovidas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
De acordo com o oftalmologista Hamilton Moreira, presidente do CBO, o Paraná é o quinto colocado em doações e transplantes de córneas. "Tivemos um crescimento no número de procedimentos nos últimos três anos. Passamos de 466 transplantes em 2005 para 924 no ano passado. Esperamos chegar a mil até o final de 2008. Mas, ainda assim, não supriremos a demanda que existe no Estado", explica.
Quatro grandes centros paranaenses já contam com bancos de olhos, sendo dois em Curitiba, um em Ponta Grossa, um em Maringá e outro em Londrina. Para fazer a doação, é preciso comunicar a família do desejo de ser doador. A retirada do órgão deve ocorrer em até seis horas após a parada cardíaca. A família do doador pode comunicar a Central de Transplante no telefone (41) 3232-9477.
Segundo Moreira, existem muitos mitos acerca do procedimento. "Não existem contra-indicações para doar, mesmo para quem tem deficiência visual como miopia, astigmatismo, hipermetropia, catarata e outras. A estética do doador não é afetada. Somente a córnea (uma lente transparente que fica na parte da frente do olho) é retirada". O Paraná recebe órgãos de doadores de 5 a 80 anos.
A doação ajuda pessoas como Ilson Medrade dos Anjos, 40 anos. Caminhoneiro há 20 anos, ele deixou as estradas ao descobrir, há 10 meses, que perdeu grande parte da visão do olho esquerdo. A doença, ceratocone, foi detectada no exame de renovação da carteira de habilitação. Agora ele aguarda a sua vez na fila do transplante. A espera leva cerca de um ano, mas é antecipada em casos mais graves, em que é prevista a cirurgia de emergência.
Membros da Liga dos Acadêmicos em Oftalmologia, do Banco de Tecidos Oculares dos hospitais de Clínicas e de Olhos do Paraná irão distribuir hoje material educativo na Boca Maldita e visitarão hospitais de Curitiba. Além de conversar com pacientes, eles querem se aproximar de médicos e demais profissionais da saúde para pedir ajuda na conscientização da importância do transplante e esclarecer os mitos que impedem um maior número de doações.

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