Paraná é o novo alvo das quadrilhas
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segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Marcelo AlmeidaAlternativaFarias: Com maior rigor na ação policial no Rio de Janeiro e São Paulo, quadrilhas passam a procurar novas opçõesO Paraná está se transformando numa das principais rotas de roubo de cargas de caminhão no País. Até o ano passado, os três Estados da Região Sul respondiam, juntos, por apenas 1% do total de roubos de cargas no Brasil. Um levantamento feito este ano por uma companhia de seguros, no entanto, revela que o Paraná já é responsável, sozinho, por 1,5% deste total, com 45 assaltos nos últimos nove meses.
Oficialmente, a Secretaria de Estado da Segurança Pública reconhece a ocorrência de apenas oito roubos de carga durante o último semestre em todo o Paraná. Mesmo assim, o diretor geral da secretaria, Fajardo Farias, confirma a avaliação de aumento nos assaltos a caminhões. Com o maior rigor na fiscalização e na ação policial em Estados como Rio de Janeiro e São Paulo, as quadrilhas passam a procurar novas opções, afirma Farias. Ano passado, os assaltos causaram um prejuízo de R$ 250 milhões às empresas transportadoras e indústrias do Brasil. Neste ano, a estimativa é que as perdas ultrapassem os R$ 350 milhões.
Um mapeamento feito pelo sindicato mostra que os trechos mais perigosos das rodovias paranaenses estão localizados no Norte do Estado, na região de Londrina e Maringá, e na BR-116 na divisa com São Paulo, próxima à Serra do Azeite. Nestes locais, segundo o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Francio, há pouco policiamento e os roubos dificilmente conseguem ser evitados. É um caso de negligência da polícia, que parece estar ignorando os prejuízos causados pelos assaltos, diz.
Além do aumento no número de ocorrências, o vice-presidente também identifica mudanças nos tipos de assaltos, que hoje priorizam cargas mais valiosas e não se restringem apenas às estradas. As áreas metropolitanas e as garagens das transportadoras são os principais alvos das quadrilhas, diz. Esta sofisticação dos assaltos, segundo Francio, confirma a atuação de grupos organizados, especializados no roubo de cargas.
Atualmente, os produtos mais cobiçados pelos assaltantes são medicamentos e cigarros, além de equipamentos eletroeletrônicos, tecidos, pneus e bebidas. O índice de roubos nestes setores é tão alto - somente nos últimos dois anos 40 caminhões de cerveja foram assaltados no Paraná - que algumas seguradoras desistiram de fazer a apólice das cargas mais visadas. Em Curitiba, uma empresa que transporta medicamentos chega a gastar em média 13,5% do seu faturamento mensal com seguros das cargas.
Vários empresários do setor de transporte e representantes do Setcepar e Sindicam, que estão reunidos desde ontem no 1º Encontro Paranaense Contra Roubos no Setor de Transportes, pretendem entregar um documento com reivindações e sugestões para a que polícia combata os assaltos. Entre os pedidos está a criação de uma delegacia especializada em roubos de cargas e de uma central de informações interligando as polícias militar, civil e rodoviária.


