Paraná é o 3º em crédito estudantil
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quinta-feira, 12 de abril de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
O Paraná foi o terceiro estado com maior número de estudantes selecionados pelo Ministério da Educação (MEC) para receber o Financiamento Estudantil (Fies). De um total de 30 mil vagas para receber o financiamento no 1º semestre em todo Brasil, 3.368 foram destinados a estudantes paranaenses. O estado com maior número de vagas foi São Paulo com 9.456, seguido por Minas Gerais, com 4.214. Quem não foi classificado, ainda tem uma segunda oportunidade. É que a partir de julho, o ministério abrirá novo prazo para inscrição junto ao Fies a partir do 2º semestre.
De acordo com o diretor substituto do Fies/MEC, Leonel Cunha, as vagas foram distribuídas proporcionalmente à demanda. Isto significa que o Paraná foi o terceiro estado em número de pedidos de financiamento. Este ano o MEC também bateu recorde de pedidos em relação aos outros anos.
Em todo País, 187 mil estudantes se inscreveram oriundos de 1.024 instituições de ensino superior que se cadastraram junto ao MEC. Só do Paraná, cerca de 73 instituições aderiram ao programa. Estes números mostram que a demanda dobrou em relação ao ano passado. Em 2000, foram registrados apenas 78 mil inscritos, disputando 50 mil vagas.
O Fies é um programa do MEC que prevê financiamento para estudantes universitários sem condições de arcar com custos de universidades particulares. A seleção para participar do programa leva em conta a renda familiar, o número de membros da família, o fato do candidato não ter moradia própria, não ter curso superior completo, existência de doença crônica na família e, ainda, a existência de outro estudante em faculdade paga no grupo familiar.
Desde 1999, quando o Fies foi criado, a participação dos estudantes e instituições de ensino só vem aumentando. De 606 universidades em 1999, o programa conta, atualmente, com 1024 instituições e 124 mil estudantes financiados. Para isso, segundo Cunha, será necessário investimento no valor de R$ 570 milhões para estes financiamentos.
Uma das maiores universidades particulares do Estado, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) decidiu não aderir ao programa este ano. Na verdade, esta foi uma decisão conjunta das filiadas à Associação Brasileira de Universidades Católicas (Abruc), que não concordam com o método de repasse do financimento praticado pelo MEC, e, apesar de negociações, não conseguiram mudar esta metodologia. O MEC repassa às instituições o valor do Fies em títulos da dívida pública, que só podem ser usados para pagar contas junto ao INSS.
Para a instituição não vale a pena, diz o assessor da Pró-Reitoria Comunitária da PUC, professor Mário Gilberto Borges. Em 2000, por exemplo, a PUC teve 650 estudantes selecionados para o programa, mas a universidade acolheu o financiamento apenas para 50, que era a quota do volume de recursos necessários à PUC/PR para pagar o INSS mensalmente. Não teríamos o que fazer com o resto dos papéis, diz. Cunha, entretanto, garante que a instituição que está em dia com o INSS pode trocar os papéis no mês seguinte por dinheiro, devidamente corrigidos pela Celic, que tem correção diária.
De acordo com o professor Borges, a PUC/PR tem um programa próprio de bolsas, que atende cerca de 4 mil dos 22 mil estudantes. A bolsa arca com 50% do valor das mensalidades. Depois de formados, os alunos têm carência de um ano e pagarão 50% do valor atualizado da mensalidade do curso feito.


