Paraná é o 3º em armas recadastradas
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Atrás do Distrito Federal e Minas Gerais, o Estado do Paraná é o terceiro do País no número de armas recadastradas nos últimos quatro anos. A iniciativa ganhou fôlego após a aprovação da Lei 11.706/08, de 20 de junho, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que remove uma série de restrições que dificultavam a regularização das armas.
De acordo com números da organização não-governamental (ONG) Viva Brasil, 1.132 armas foram recadastradas e 17 cadastradas no Paraná. Os números são referentes apenas aos primeiros 29 dias do ano. No total, desde 2004, o Estado contabiliza 22.398 recadastramentos.
No ranking geral, os paranaenses perdem em número de armas de fogo recadastradas para os moradores do Distrito Federal, paulistas e fluminenses. Segundo o presidente do Movimento Viva Brasil, Bené Barbosa, os Estados da Região Sul, no entanto, são os que mais possuem armas em relação ao número de habitantes.
Para Barbosa, a colonização italiana e alemã, entre outras, explica o hábito, em especial dos produtores rurais, de manter armas em casa. ''Na campanha do referendo de 2005, era comum ouvirmos agricultores dizerem que não tinham armas, mas apenas uma espingarda. Era um costume tão arraigado que eles não a consideravam uma arma'', comenta.
Outro fator que pode incentivar os produtores rurais manter uma arma em casa é a criminalidade no campo. O tema foi discutido com um representante do 5º Batalhão da Polícia Militar numa reunião no Distrito de São Luiz (Zona Sul de Londrina) na semana passada. O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinati, revelou que alguns dos 200 participantes do encontro já foram vítimas de assaltos. ''O comando foi bem receptivo e está buscando soluções para a Zona Rural. O que nós precisamos é ter a Patrulha Rural de volta'', reivindica.
Barbosa acrescentou que a entidade apóia a campanha pelo recadastramento, lançada recentemente pela Associação Nacional da Indústria e Comércio de Armas e Munições (Aniam). O objetivo é informar sobre a obrigatoriedade do recadastramento e as exigências, mais brandas, para quem deseja possuir uma arma legalmente.
Além de ampliar o prazo para 31 de dezembro, a Lei do Controle de Armas estabeleceu o recadastramento gratuito, sem a burocracia ou exigência de testes psicológico e prático. O cadastro pode ser feito em lojas especializadas, mediante apresentação de documentos pessoais.
A legalização, na opinião do presidente da Viva Brasil, impede que as armas caiam ''em mãos erradas.'' ''A restrição atrapalha o direito da pessoa e não evita o grande problema do País hoje, que é a criminalidade'', destaca.


