Paraná começa a entrar no 1º Mundo
Quarta-feira próxima, quando o governador Jaime Lerner chegar ao viaduto de entroncamento da BR-369 com a PR-445, em Londrina, para dar início às obras do Anel Rodoviário de Integração, o Paraná comemorará um feito inédito no País. Será o primeiro Estado brasileiro a privatizar conjuntamente rodovias estaduais e federais. O governador visitará as seis cidades-pólo por onde passa o Anel, que ele
considera a mais importante obra de infra-estrutura de seu governo.
O projeto será executado por seis consórcios já licitados que têm seis meses para colocar as estradas em ordem e oito anos para transformá-las em estradas de Primeiro Mundo. A licitação é por 24 anos e os consórcios esperam ter lucro a partir do oitavo ano.
O roteiro do governador começa às 9 horas em Londrina. Ao meio-dia estará em Maringá, para uma solenidade na confluência da PR-317 com o Contorno Sul. Às 14 horas desembarcará em Cascavel, onde seu destino é o viaduto Tancredo Neves, na BR-277. Às 16 horas estará em Guarapuava, na BR-277, próximo à PR-466; às 18h, em Ponta Grossa, na BR-376, próximo ao Trevo Vendrami; e às 20h, em Paranaguá, na BR-277, junto ao trevo da avenida Curitiba. Lerner viajará acompanhado do secretário dos Transportes, Heinz Herwig.
Os 2.035 quilômetros do Anel terão serviços paramédicos a 20 minutos do local de qualquer acidente, 18 postos da polícia Rodoviária Estadual com 850 policiais e 12 postos da Polícia Rodoviária Federal com 535 homens, todos motorizados e equipados com bafômetros e terminais de computador. As estradas terão telefones para emergências a cada quilômetro e serviço de socorro mecânico gratuito. Tudo deverá estar funcionando a pleno em oito anos.
Mas as melhorias começam já. Na primeira etapa, as obras são emergenciais e serão realizadas nos trechos mais críticos de todo o Anel, com prazo para conclusão até maio do ano que vem. Elas incluem a recuperação da manta asfáltica, substituição da sinalização vertical e horizontal, limpeza dos bueiros e valetas e roçada do mato em toda a extensão dos acostamentos.
O investimento nesta fase será cerca de R$ 100 milhões e as empresas prevêem a aplicação de 380 mil toneladas de asfalto, 273 mil metros quadrados de faixas de sinalização horizontal, 80 mil unidades de faixas refletivas, 2.600 metros quadrados de placas de sinalização vertical e 13,5 milhões de metros quadrados de roçadas.
Depois que as empresas concessionárias tiverem concluído essa etapa e a fiscalização governamental aprovar as condições de segurança, começará a ser cobrado pedágio, provavelmente no início de junho. O Anel terá 26 praças de pedágio, assim distribuídos: de Ponta Grossa a Apucarana, três; de Londrina a Cambará, dois; de Londrina a Sertaneja, um; de Londrina a Apucarana, um; de Londrina a Maringá, dois; de Maringá a Paranavaí, um; de Maringá a Cascavel, três; de Curitiba a Ponta Grossa, três; e de Paranaguá a Foz do Iguaçu, dez.
O valor do pedágio será determinado pelo tamanho do trecho e deverá atender às exigências do edital de licitação. A primeira previsão é de que os preços variarão de R$ 2,00 a R$ 3,80, dependendo dos investimentos realizados. O DER fará o acompanhamento e a fiscalização.
A Secretaria dos Transportes encomendou pesquisa de opinião que ouviu três mil pessoas em todo o Estado sobre a privatização das rodovias e cobrança de pedágio: 90% dos entrevistados aprovaram integralmente a cobrança em troca de um serviço de boa qualidade.
A cobrança do pedágio livra o Estado de pagar às empresas para recuperar as estradas e todos saem ganhando: os usuários, que contarão com rodovias em perfeitas condições, as concessionárias e o governo, que fará uma economia significativa de recursos para aplicá-los nas áreas sociais, explica o coordenador do grupo de concessões da Secretaria dos Transportes e presidente da Comissão de Licitação do Anel de Integração, engenheiro André Augusto Reis Fialho.
A Secretaria dos Transportes relata o caso da Via Dutra, de São Paulo ao Rio de Janeiro, que se tornou exemplar. Todos saem ganhando, particulares, empresas e governo. A Sadia, por exemplo, reduziu o tempo de viagem de seus caminhões de dez para seis horas na Dutra, gerando imediato aumento de produtividade. A privatização do ferry-boat entre Caiobá e Guaratuba é outro exemplo de sucesso. Houve redução das filas de espera, diminuição do valor das tarifas e menos reclamações dos usuários.
Além da integração do Paraná com os Estados vizinhos e Mercosul e da necessidade de dotar o porto de Paranaguá de uma malha viária eficiente para escoar a produção do Estado, o Anel busca aproximar as diversas regiões paranaenses. O tempo de viagem entre Paranaguá e Foz do Iguaçu, por exemplo, diminuirá em duas horas e meia, informa a Secretaria dos Transportes.
A modernização garantirá, principalmente, maior segurança aos usuários, com redução do número de acidentes graves, mais conforto e sensível economia nas despesas de manutenção dos veículos. O presidente dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam), Diumar Cunha Bueno, elogiou a privatização e aprovou a cobrança de pedágio: Isso faz com que nós possamos acreditar mais e, consequentemente, contribuir para o desenvolvimento do Paraná e do País.- Privatização das estradas estaduais e federais do PR é inédita no País
- Obras iniciais do Anel de Integração estarão concluídas até maio de 98
- Investimento nesta fase é de R$ 100 milhões, pelos consórcios licitados
- Pedágio começa em junho de 98, depois de aprovadas as obras realizadas





