Paraná amplia 'privatização' de presídios
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Valmir Denardin Enviado a Guarapuava 
A partir de janeiro do próximo ano, o Paraná terá cerca de 10% de seus presos cumprindo pena em presídios administrados por empresas privadas. Naquele mês será inaugurada, em Cascavel (Oeste), a segunda penitenciária industrial privada do País. Nessas instituições, construídas pelo Estado, com recursos públicos, todos os serviços são executados por empresas, por meio de licitação.
Inédito no Brasil, o modelo é adotado há um ano na Penitenciária Industrial de Guarapuava (Centro do Estado). Ainda em 2001, deverá ser iniciada a unidade de Maringá (Noroeste). Além da administração privada, a principal característica desse sistema é o trabalho dos presos, em canteiros industriais, também montados por empresas.
O Paraná tem 4,5 mil presos. O presídio de Guarapuava, com capacidade para 240 detentos, abriga atualmente 200 homens. A unidade de Cascavel terá a mesma capacidade. O custo de um preso aos cofres estaduais no sistema privatizado é de R$ 1,2 mil mensais 33% mais caro do que no sistema convencional (R$ 800,00 mensais).
Em Guarapuava, os serviços de alimentação, limpeza e atendimento (feito por médico, psicólogo, psiquiatra, dentista e advogado) é executado pela empresa Humanitas, sediada em Curitiba. Por esses serviços, o governo repassa mensalmente cerca de R$ 250 mil. No local atuam 96 funcionários da empresa e apenas quatro servidores públicos nos cargos de direção e chefia de segurança. A guarda externa é feita pela Polícia Militar.
Os detentos trabalham em um canteiro da indústria de estofados Azulbrás instalado no presídio. Produzem 2,1 mil peças por mês. Recebem um salário mínimo mensal (R$ 151,00) e, a cada três dias trabalhados, têm a pena reduzida em um dia. Segundo a empresa, o custo de produção no presídio é 30% inferior.
Nossa preocupação maior é a ressocialização do preso, o que poderá representar redução de custos ao Estado no futuro, afirma Lauro Valeixo, coordenador do Departamento Penitenciário Estadual (Depen). No sistema convencional, o índice de reincidência no crime atinge 70%. Segundo Francisco de Paula, diretor da Humanitas, a meta da empresa é reduzir esse índice para apenas 20%.
O repórter Valmir Denardin e o repórter-fotográfico Leandro Taques viajaram a Guarapuava a convite do governo do Estado


