Paraná Alfabetizando forma 230 alunos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Há oito meses, Salvador Edigar Valim, 62 anos, conseguia escrever apenas o seu nome. Apesar de sempre ter tido vontade de saber escrever melhor, Valim já estava acostumado a usar uma caneta somente para preencher a ficha de entrada e saída das empresas em que trabalhou como motorista. Hoje, além de escrever qualquer coisa que vem à cabeça, ele passou a desenhar e cultiva o hábito de ler, principalmente jornais.
''A vida foi passando e eu nunca tinha tempo para procurar alguma forma de aprender. Então, como não atrapalhava no meu trabalho, fui deixando. Mas hoje percebo que é muito mais gostoso saber ler e escrever direitinho. A gente se sente uma pessoa mais digna'', disse o aposentado, que mora temporariamente no Lar dos Vovôs, localizado na Rua Araguaia, Vila Nova (Centro).
Assim como Valim, outras 230 pessoas que nunca tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever receberam certificados de conclusão de curso. O grupo, formado por pessoas de diversas faixas etárias, participou do Paraná Alfabetizando, programa do governo estadual que existe em Londrina desde 2004.
Segundo a coordenadora do núcleo regional do programa, Eunice Satie Fuzita, atualmente, mais de 400 pessoas são atendidas por 53 alfabetizadores voluntários. Ela enfatiza que a maioria do grupo é formado por mulheres e homens acima de 40 anos de idade. As aulas são realizadas em diversos locais: igrejas, salões de associações de moradores, escolas públicas e asilos. ''A maioria mora na periferia da Zona Urbana de Londrina. É muito raro encontrar jovens de 20 e poucos anos. Muitos são mais velhos, pessoas excluídas mesmo e que sofrem por não serem alfabetizadas'', comentou.
Com uma edição da FOLHA nas mãos, Valim se orgulha em mostrar a nova habilidade. Ele começa a ler as frases do jornal e comenta em seguida: ''É muito bom ler. Você não fica assim, pensando bobagens, não fica com a cabeça vazia. Eu gosto de ler e saber das coisas que estão acontecendo''.
Prestes a ir embora para São Jerônimo da Serra (Norte), onde deixou a família há muitos anos, seo Valim garante que hoje é mais feliz com a leitura e já se prepara para chegar na terra natal e aproveitar bastante o tempo com as atividades que aprendeu. ''Depois que a gente se aposenta, tem mais tempo. Mas eu não sou de ficar parado. Não gosto de ficar sem fazer nada. Eu sempre gostei muito de gibis, revistas e adoro jornais. Também gostei muito de aprender a desenhar. Quando estiver na minha casa, vou ter bastante tempo pra fazer isso'', afirma.


