Era meio-dia do dia 23 de dezembro de 1988, quando o menino Ewerton de Lima Gonçalves foi visto pela última vez. O garoto brincava no quintal da casa, próximo de um terreno baldio, e vestia um conjunto azul com chinelos do Topo Gigio - a única peça encontrada depois do desaparecimento. Segundo o boletim de ocorrência da época, a última pessoa a ver a criança foi Rosângela Alves, prima de Eliane de Lima Gonçalves, que viu Ewerton conversando com um homem desconhecido.
Com o desaparecimento, a Delegacia de Vigilância e Captura, que na época investigava raptos de crianças feitos pela quadrilha de Honorina Arlete Hilú, passou a trabalhar com a possibilidade de sequestro. Durante muito tempo, foram investigadas várias pessoas ligadas a Arlete Hilú, cogitando-se que o menino teria sido adotado por casais do Paraná, de outros Estados e até do exterior.
As investigações sobre Ewerton chegaram a incriminar Rosângela e seu marido como autores do crime, mas nenhuma informação conclusiva foi alcançada. Mais tarde, foi divulgado que a criança estaria na Alemanha, fato refutado pela Interpol, no começo deste ano. Em agosto deste ano, o Sicride realizou um exame de DNA num rapaz, com 14 anos (que seria a atual idade de Ewerton), suspeitando que fosse o menino. Mas o resultado foi negativo.
A partir de setembro, a polícia começou a cogitar a possibilidade de que a criança estaria morta. Essa hipótese ganhou força com a denúncia anônima, que levou à ossada de ontem. Desde a criação do Sicride, em 1995, passaram pela delegacia 200 casos, sendo que apenas um sequestro não foi apurado. Segundo o delegado Harry Herbert, os outros 12 casos pendentes são os ocorridos antes de 95, que até hoje estão sob investigação. (I.R.)

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