Paraná acirra luta contra a violência infanto-juvenil
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terça-feira, 04 de março de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O Paraná investirá R$ 48 milhões, nos próximos dois anos, para reduzir a violência que envolve crianças e adolescentes. A proposta é criar e/ou potencializar ações nas áreas de saúde, educação, trabalho e promoção social nos 10 municípios que oferecem maior risco a essa faixa etária: Almirante Tamandaré, Colombo, Cascavel, Cambé, Foz do Iguaçu, Londrina, Ponta Grossa, Pinhais, Sarandi e São José dos Pinhais. ''São áreas de urbanização acelerada onde as políticas públicas têm dificuldades para solucionar o problema'', explicou Aline Pedrosa Fioravante, coordenadora do Programa Atitude, da Secretaria de Estado da Criança e da Juventude.
A integração entre Estado e municípios em diversas áreas de atuação é o ponto-chave do programa que buscará seu objetivo ao atacar a evasão escolar, fortalecer as estruturas de defesa dos direitos da criança e adolescente, promover a qualificação profissional, cultura, lazer, esporte e trabalho nas comunidades de maior vulnerabilidade social. Cada município será dividido em núcleos (associações de bairro, igrejas, escolas, centros comunitários, etc), onde residentes técnicos (recém-formados em Psicologia e Serviço Social devidamente treinados) operacionalizarão o Programa.
Segundo Aline, os municípios poderão desenvolver ações mais adequadas a sua realidade sem fugir das linhas-mestras do Atitude. Esta tarefa caberá ao comitê gestor que será composto por representantes do Estado, município e entidades civis.
Em Londrina, o grupo está praticamente formado. Conforme Telcia Lamônica de Azevedo Oliveira, coordenadora do Programa Sentinela e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, os 10 comitês gestores deverão apresentar e obter aprovação do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente para suas ações até junho. O Programa Atitude será desenvolvido - inicialmente - entre agosto deste ano a agosto de 2010. Caso mostre-se eficiente, a Secretaria de Estado da Criança e Juventude poderá prorrogá-lo por mais tempo.
A escolha dos municípios participantes considerou os dados obtidos nos conselhos tutelares, delegacias e unidades de internação, mapa da violência apresentado pela Unesco e o registro de mortes violentas pelo Data SUS. Em Londrina, funcionam três conselhos tutelares (Norte, Sul e Centro). Até agora, nenhum deles concluiu o balanço de atendimentos realizados em 2007. Telcia, que tomou posse do cargo em julho do ano passado, afirmou à reportagem que desde então não recebeu qualquer relatório dos conselhos.
Embora deficitária, a estatística dos conselhos tutelares de Londrina ainda contribuem com o Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), do Ministério da Justiça, que enviará a cidade R$ 1,5 milhão para custear de defesa e promoção da população de 0 a 18 anos de idade. Esta informação é de Luiz Bárbara, presidente do Conselho Tutelar Sul de Londrina.


