Paralisação tumultua o centro mas ganha apoio da população
Paralisação tumultua
o centro mas ganha
apoio da população
O protesto de motoristas e cobradores de ônibus provocou
longos congestionamentos e espera nos terminais
400 mil pessoas
ficaram sem ônibus
entre 5 e 7 horas
da manhã de ontem
Guilherme Pupo
Marcelo Almeida
GreveO Terminal do Guadalupe ainda estava superlotado às 17h30, uma hora e meia depois do fim do protestoA paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus realizada ontem em Curitiba, em protesto contra a morte do cobrador Bernardino Alves de Melo, atrapalhou a rotina de cerca de 500 mil curitibanos que dependem do transporte coletivo para se deslocar. Apesar do transtorno e dos congestionamentos provocados no centro da cidade, a greve espontânea da categoria recebeu o apoio da população.
Eles estão no direito deles. Não há segurança nenhuma em várias linhas e terminais de ônibus, disse a comerciária Eliza Fátima Bora, 31 anos. Ela pegou um ônibus para ir ao banco, no centro, e teve de descer longe do ponto por causa do início da greve.
A dona de casa Vera Lúcia Santos, 49 anos, andou cerca de quatro quilômetros para chegar ao centro ontem à tarde, mas não estava irritada com a paralisação dos ônibus. Vim procurar emprego no centro mas aproveitei para olhar outros lugares no caminho. Valeu a pena andar a pé, disse.
Segundo informações da Urbs (gerenciadora do transporte coletivo), cerca de 400 mil pessoas ficaram sem ônibus entre 5 e 7 horas da manhã, principalmente nos eixos Sul, Leste e Oeste. À tarde, outros 80 mil usuários teriam sido atingidos durante o protesto realizado entre as 14 e as 16 horas.
Marcelo Almeida
CaosLongos congestionamentos paralisaram várias ruas do centro da cidade, como a André de BarrosDurante a paralisação, o trânsito ficou congestionado na região central e nas vias de acesso ao centro, além das saídas das garagens de ônibus. Todo o efetivo disponível do BPTran foi deslocado para as ruas (cerca de 450 policiais), mas a operação não foi suficiente para impedir o transtorno.
No Terminal do Guadalupe, de onde saem ônibus para municípios da região metropolitana, o movimento de passageiros era intenso às 17h30, uma hora e meia depois do final do protesto. Eles deveriam ter parado o dia todo. O governo só toma providências depois que uma tragédia acontece, disse a chacreira Maria Gaioski, que estava esperando o ônibus para voltar para casa.
TaxisA categoria profissional dos taxistas acabou sendo beneficiada com a greve espontânea dos cobradores e motoristas de ônibus. O aumento na procura por táxis entre 6h e 8h30 chegou a 30%. Segundo o operador Emerson Oliveira da Silva, da Teletáxi, a maior demanda foi na região do Xaxim, bairro onde o cobrador foi assassinado. Faltou táxi e tivemos de deslocar veículos de longe, conta o operador. A empresa atendeu 700 corridas nesse período, contra 550 em dias normais.
Com a paralisação, muitos curitibanos chegaram atrasados ou deixaram de ir ao trabalho. Na escola estadual Desembargador Guilherme de Albuquerque Maranhão, no Jardim da Ordem (próximo a Araucária), com 1.200 alunos, metade dos professores faltou ao trabalho.
Na Electrolux do Brasil, que emprega cerca de 3 mil pessoas no turno da tarde, muitos trabalhadores chegaram atrasados ou faltaram. O departamento de recursos humanos da empresa não soube informar o número de faltantes, mas afirmou que deve haver prejuízos na produção. Na Cidadela, o índice de operários que faltaram ao trabalho nos canteiros de obras foi de 4% (16 em um total de 400), mas a assessoria da empresa informou que as atividades não foram prejudicadas.





