Moradores do Conjunto Habitacional Vila Ouro Verde, uma área de desfavelamento da antiga Chácara São Carlos, em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio) acusam a administração municipal de ter abandonado as obras de infra-estrutura que estavam sendo realizadas no bairro. Eles reclamam que há cerca de 15 dias a prefeitura desistiu da construção de um muro de sustentação que iria impedir que algumas casas desmoronassem. O prefeito Lino Martins (PTB) diz que as reclamações são injustas e partem de adversários políticos.
O muro, que está sendo construído com pedras brutas, foi levantado até um metro do chão. Os moradores que têm casas no local temem que as construções não suportem uma chuva forte. Eles também reclamam que, sem o muro, não há como dividir os terrenos para ampliar as casas e fazer hortas. ‘‘Se ocorrer uma enxurrada forte nossas casas correm o risco de desbarrancar. E quem vai se responsabilizar por isso?’’, indaga a dona de casa Ana Moreira, 52 anos.
Os moradores afirmam que a prefeitura prometeu pavimentar as ruas, construir meio-fio, despoluir o córrego e arborizar o bairro. A diretoria da Associação dos Moradores da Vila Ouro Verde afirma que já procurou o prefeito para reivindicar as benfeitorias, mas que não é atendida por ele. O conjunto habitacional existe há oito meses e tem 55 casas de 31 metros quadrados com cozinha, banheiro e dois quartos.
‘‘Cansamos de ir atrás do prefeito porque somos atendidos pela assessoria dele, que não resolve nada. Nos disseram na prefeitura que a construção do muro está parada porque a pedreira do município faliu. Não podemos ficar com esse muro pela metade’’, queixa-se o presidente da associação, José Carlos Alves.
Segundo ele, o prefeito teria assegurado ainda que até a Páscoa as ruas do bairro estariam pavimentadas. ‘‘Tinha asfalto numa parte do bairro, mas quando vieram implantar a rede de esgoto quebraram o que tinha e nem isso eles consertaram’’.
O lavrador Izael Luiz Barroso reclama ainda que existe problemas com a rede de esgoto de algumas casas. ‘‘Tem locais que o esgoto volta e causa mau cheiro. Estamos correndo o risco de pegar algum tipo de doença. Uma das casas do bairro está cedendo porque foi construída em cima de uma antiga fossa’’, disse.
O prefeito Lino Martins afirmou à Folha que as obras do muro deverão ser retomadas nos próximos dias e que só foram interrompidas porque acabaram as pedras. ‘‘Estamos sem máquina para quebrar pedra, mas não abandonamos a obra. Isso é boato’’, justificou. Martins afirmou ainda que nunca prometeu aos moradores que iria pavimentar o bairro. ‘‘Isso eu nunca prometi, muito menos até a Páscoa. Se for reeleito, pode ser que para a próxima Páscoa eu asfalte’’, ironizou.

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