Érika Pelegrino
De Londrina
Um grupo de alunos da Estação do Ofício de Londrina reuniu-se ontem, em frente à escola, na Rua Guararapes, 331, no Jardim Higienópolis (centro), para protestar contra a interrupção das aulas de informática, no período de 30 de julho a 1º de setembro. O governo do Estado rescindiu o contrato com a Sigma DataServ, empresa que fazia a manutenção dos equipamentos de informática desde o início do programa, há três anos.
Com a rescisão contratual acertada entre ambas as partes, as estações do ofício que eram gerenciadas pela Sigma DataServ, estarão de ‘‘férias’’ até que se estruture a nova forma de gerenciamento dos cursos de informática, segundo Nádia Oliveira de Moura, chefe regional da Secretaria do Estado da Criança e Assuntos da Família (Secre), em Londrina.
O Estado ficará responsável pelo mobiliário e equipamento em comodato com o município por seis meses, repasse das apostilas e certificados e a supervisão dos cursos de informática. O município ficará com a manutenção de equipamentos e gerenciamento e a Secretaria do Estado do Trabalho e das Relações de Emprego passará a ser responsável pela folha de pagamento de instrutores e coordenadores do curso de informática.
A Sigma atendia 23 das 182 Estações do Ofício em 162 municípios paranaenses. A mudança ocorre apenas nos locais onde existe o curso de informática. Nas
demais Estações, onde são ministrados cursos de acordo com a vocação regional
de cada município, nada deve ser alterado. O curso tem duração de três meses, período em que 120 alunos assistem aulas diariamente por duas horas.
As turmas de Londrina que atualmente estavam em aula tinham começado o curso há três semanas. A grande preocupação dos alunos de Londrina é que o prazo previsto para as ‘‘férias’’ seja prorrogado, ou que a estação do ofício não reabra.
‘‘Quando o assunto diz respeito ao povo, o governo não tem pressa em resolver’’, afirmou o aluno Renato Carlos Duarte. ‘‘Mas nós, que dependemos do curso para conseguir emprego, temos urgência em concluí-lo’’, complementou.
Renato tem 20 anos e está desempregado há um ano e oito meses. Ele mora com a mãe e mais três irmãos menores, no conjunto Chefe Newton Guimarães (zona norte) ‘‘A única renda lá em casa vem do trabalho da minha mãe: três salários mínimos. Preciso de um emprego com urgência’’, afirmou.
Segundo ele, alguns alunos já tinham trabalho em vista, estavam apenas esperando concluir o curso. ‘‘Tem uma garota que é empregada doméstica e os patrões dela prometeram um emprego na loja deles assim que ela terminasse o curso’’, contou. Renato afirmou que ‘‘o medo’’ dos alunos da estação não reabrir ou de o prazo de ‘‘férias’’ se estender muito tem origem no fato de nenhum comunicado ter sido feito a alunos e instrutores. ‘‘Sabemos apenas que os instrutores foram demitidos e que não haverá curso até setembro’’, afirmou.
A chefe regional da Secre garantiu ontem que o curso será reaberto no dia 1º de setembro. ‘‘O governo entende que este curso é uma importante ferramenta na busca de trabalho’’, afirmou.

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