Paraíba pega 16 anos, mas fica livre
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quarta-feira, 11 de novembro de 1998
Sid Sauer 
Dezesseis anos e onze meses foi a pena dada anteontem à noite ao ex-chefe do almoxarifado da Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), Admílson de Souza Pereira, o Paraíba, pelo atentado, em junho de 1995, contra o então prefeito da cidade, José Paulo Novaes (PDT). A nova pena é 15 meses menor que as sentenças dadas nos dois primeiros julgamentos de Paraíba, que acabaram anulados pelo Tribunal de Justiça do Estado - nos júris anteriores o acusado foi condenado a 18 anos e 2 meses de prisão.
Apesar da redução da pena, o advogado de Paraíba, José Borges dos Santos, anunciou que vai recorrer da sentença. Ele voltou a alegar que houve erro na elaboração dos quesitos votados pelos jurados. Pelo mesmo motivo, os dois julgamentos anteriores foram anulados. O juiz Nestário da Silva Queiroz, o mesmo dos outros dois júris, desta vez concedeu o direito para que Paraíba fique em liberdade até que o caso seja julgado pelo Tribunal de Justiça.
A concessão foi dada porque o réu conseguiu, no final de outubro, um habeas-corpus que o tirou da prisão após três anos. Queiroz lembrou que Paraíba estava solto e se apresentou voluntariamente para o julgamento de anteontem. O júri demorou cerca de 15 horas (começou às 8h30 e só terminou depois das 23 horas) e, assim como nas duas vezes anteriores, manteve a sala do tribunal lotada durante todo o tempo. A Polícia Militar montou um forte esquema de segurança dentro e fora do Fórum.
Com a nova sentença, Paraíba passou a ter uma pena menor que a um outro envolvido no atentado. Ronaldo Wilson Hernandes, acusado de ter locado o carro e servido como motorista de Paraíba no dia do crime, foi condenado no ano passado a 17 anos e 6 meses de prisão. Paraíba deu os tiros que feriram o então prefeito e acabaram matando a comerciante Neuzely Farias. Um terceiro acusado, Fábio Henrique Afonso, o Binho, vai a júri no mês que vem. No ano passado, ele foi absolvido, mas o julgamento também foi anulado pelo TJ.
No júri de anteontem, Paraíba voltou a dizer que fez tudo sozinho, contrariando a versão policial que acusa o ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz como mandante do crime. Cruz teve prisão preventiva decretada na época do atentado, quando ainda era vereador, mas ele fugiu e não apareceu mais em Goioerê. Paraíba manteve a história de que vinha sendo humilhado publicamente por Novaes e, por isso, planejou o atentado. O ex-prefeito é dentista e continua em Goioerê. Este ano, ele foi candidato a deputado estadual, mas não se elegeu.
OS PASSOS DE PARAÍBA
14/6/95: Tenta matar o prefeito Paulo Novaes e acerta uma mulher que estava ao lado.
20/6/95: Preso na zona rural de Cruzeiro do Oeste
2/7/95: Transferido para a cadeia de Umuarama
17/7/95: Foge da cadeia de Umuarama na hora de um jogo do Brasil
10/9/95: Recapturado em Mauá-SP, onde estava trabalhando como pedreiro
26/9/95: Tenta fugir da cadeia de Goioerê
27/9/95: Transferido para penitenciária em Curitiba
28/2/97: Condenado a 18 anos e 2 meses de prisão
30/8/97: Julgamento é anulado pelo TJ
13/2/98: Condenado novamente a 18 anos e 2 meses
14/2/98: Levado para a Penitenciária de Maringá
18/6/98: TJ anula também o segundo júri
23/10/98: Ganha liberdade através de habeas-corpus
3/11/98: Fica doente e novo júri é adiado
9/11/98: Condenado a 16 anos e 11 meses, mas recorre e fica em liberdade


