Foz do Iguaçu Pelo segundo dia consecutivo, paraguaios mantiveram bloqueada a Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este (Paraguai). O bloqueio é um protesto contra o aumento do rigor na fiscalização de contrabando, do Paraguai para o Brasil. Não há previsão para a liberação do tráfego, segundo os manifestantes e as autoridades paraguaias.
O bloqueio foi iniciado ontemàs 8 horas, depois de uma trégua desde às 21 horas de anteontem, e impediu o transporte de mercadorias entre os dois países. Ontem, cerca de 150 caminhões com mercadorias destinadas ao Paraguai ficaram retidos na Eadi (Estação Aduaneira de Interior) de Foz do Iguaçu.
O delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu, José Carlos de Araújo, 35, disse que, ao impedir ''o fluxo legal de mercadorias'', os manifestantes paraguaios tentam ''retaliar a decisão brasileira de impedir o descaminho e o contrabando''. Segundo ele, em dez dias foram apreendidas mercadorias no valor de R$ 3 milhões.
Com o aumento da fiscalização, o movimento comercial nas lojas de Ciudad del Este caiu em 80%, segundo números da Associação dos Exportadores do Departamento (equivalente a Estado) de Alto Paraná.
O movimento pela flexibilização da fiscalização tem o apoio velado de autoridades paraguaias, já que o país tem, na venda de mercadorias para sacoleiros brasileiros, a principal atividade econômica de Ciudad del Este. O comércio sacoleiro na fronteira é responsável pela existência de mais de 1,5 mil lojas comerciais em Ciudad del Este a maioria vendendo produtos fabricados na China.
No auge do comércio sacoleiro, na década de 90, existiam 12 mil brasileiros trabalhando no comércio da cidade paraguaia. Hoje a estimativa é que 7 mil moradores de Foz do Iguaçu trabalhem em lojas paraguaias. Ontem, muitos deles foram impedidos de voltar ao Brasil por uma barreira humana composta por taxistas, motoristas de vans, ambulantes e comerciantes que se formou na aduana paraguaia.
A Receita Federal calcula que desde o dia 8, quando foi iniciada a Operação Cataratas, reunindo vários órgãos no combate ao contrabando na fronteira, houve uma redução de 80% nesse crime, que estima ser de US$ 5 milhões diariamente. ''A redução aconteceu sem que fosse preciso fazer grandes apreensões de mercadorias'', disse Araújo.
Em razão das festas de fim de ano este é um dos períodos mais procurados pelos sacoleiros brasileiros, que atravessam a ponte para fazer compras em Ciudad del Este.
Por isso, a Receita planeja continuar com a fiscalização reforçada durante todo o período, podendo se estender também no próximo ano. Araújo disse ter sido procurado por autoridades paraguaias, que querem uma flexibilização no cumprimento da legislação que permite compras livres de até US$ 150, mas explicou-lhes que se trata apenas de evitar o crime de contrabando de mercadorias e, por extensão, o de drogas e armas. (Com Agência Estado)

mockup