Paraguaios fecham a Ponte da Amizade
Manifestantes querem fim da megaoperação contra o contrabando promovida por Receita, Polícia e Exército brasileiros
Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Ney de SouzaTráfego paradoApesar da aglomeração de centenas de pessoas sobre a ponte, não houve registro de tumultos até as 13 horasSindicalistas de Ciudad del Este e de várias cidades do Departamento de Alto Paraná, no Paraguai, bloquearam na manhã de ontem a passagem de pedestres e veículos na Ponte da Amizade. Os manifestantes usaram cordas e um microônibus para impedir o tráfego entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu e garantem que só deixam o local depois que as autoridades brasileiras suspenderem a megaoperação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Exército, iniciada na quarta-feira.
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Ciudad del Este, Reynaldo Casco, um dos organizadores do protesto, justificava a ação alegando excessos da fiscalização com os sacoleiros. ‘‘Temos que nos solidarizar com estes trabalhadores que estão sendo desrespeitados até mesmo pelo Exército brasileiro. Concordamos com a fiscalização, mas não com confiscos e roubos’’, afirmou.
Em entrevistas a rádios de Ciudad del Este, alguns sindicalistas e políticos convocavam a população a se manifestar contra a operação do governo brasileiro. ‘‘O governo brasileiro sabe que não é combatendo os pequenos, que vai conseguir acabar com o contrabando na fronteira’’, declarava o deputado federal Xavier Zacarias Iron, do Partido Colorado.
Pelo menos mil sacoleiros e comerciários brasileiros que trabalham no Paraguai, se aglomeravam próximo a barreira montada pelos paraguaios sobre a ponte. O clima era de impaciência. Alguns sacoleiros estavam solidários a causa dos paraguaios.
A Polícia Federal enviou pessoal para agir em caso de tumulto sobre a ponte. Segundo uma fonte da aduana, eles se infiltrariam ‘‘de forma discreta’’ na aglomeração. ‘‘Quanto à manifestação, ela está acontecendo na metade paraguaia da ponte. Não podemos fazer nada’’, explicou.
Números O primeiro balanço da megaoperação da Receita Federal foi divulgado ontem pela delegada em Foz, Maria Angélica Toledo Castro. Até ao meio-dia de sexta-feira, cerca de US$ 1,2 milhão em mercadorias haviam sido apreendidos. A Receita Federal não quis revelar quando será concluída a operação nem a data para divulgação de um novo balanço.

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