Foz do Iguaçu - Uma mutidão de cerca de 5 mil pessoas, formada por comerciantes, perueiros e mototaxistas paraguaios interditou ontem a saída paraguaia da Ponte da Amizade (fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Leste) para protestar contra a queda na movimentação do comércio depois da implantação da Operação Cataratas, que prevê a coibição do contrabando de armas, munições e drogas.
O bloqueio começou às 9 horas e teve o apoio de dezenas de fuzileiros da Marinha do Paraguai, que formaram cordões de isolamento na aduana paraguaia, cabeceira e meio da ponte. Somente pedestres eram liberados para atravessar a ponte, mas em vários momentos, os fuzileiros, que alegavam ''evitar tumultos'', restringiam até a passagem de pessoas. Idosos, grávidas e com crianças foram permitidas atravessar a ponte a pé, já que a travessia de veículos estava bloqueada.
Às 17 horas, após entendimento entre o comandante do exército paraguaio e líderes do movimento, foi liberado o retorno dos veículos que haviam ficado retidos nos países vizinhos devido a manifestação. Uma reunião que aconteceria a partir das 18 horas iria decidir se o trânsito seria liberado para fluir normalmente.
Desencadeada há uma semana pela Receita Federal, em parceria com as polícias federal, militar e civil do Paraná, a operação, concentrada no Posto Fiscal Bom Jesus, em Medianeira (58 km ao norte de Foz do Iguaçu), já inibiu a compra de cerca de R$ 45 milhões em contrabando. Só na última sexta-feira foram apreendidas R$ 1,3 milhão de mercadorias.
Dados da Secretaria da Receita Federal ainda apontam que o movimento das lojas na cidade paraguaia caiu cerca de 80%. Além disso, aumentou o número de pessoas que passaram a declarar espontaneamente as compras à Receita.
Apesar do protesto, a RF informou ontem que prosseguirá com as ações pelo menos até o fim do ano. O órgão informou que considera ''normais'' as manifestações, registradas todas as vezes em que se intensificam as ações de combate à venda irregular de mercadorias.

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