Paraguaios encerram bloqueio na ponte
Interdição da Ponte da Amizade em protesto contra megaoperação de combate ao contrabando e tráfico durou 80 horas
Valmir Denardin
Ney de SouzaPassagem liberadaMovimento de caminhões e carros na pista Paraguai-Brasil da Ponte da Amizade, minutos após a reabertura O grupo de cerca de 2 mil paraguaios que bloqueavam a Ponte da Amizade desde a madrugada do último sábado deixou o local pacificamente na tarde de ontem. A passagem de pedestres foi liberada às 14 horas e o tráfego de veículos uma hora depois. Com duração de mais de 80 horas, a interdição foi a segunda mais longa da história da ponte.
O protesto, que reuniu sindicalistas, pequenos comerciantes, taxistas e políticos de Ciudad del Este, foi contra a megaoperação realizada pela Receita Federal, a Polícia Federal e o Exército brasileiro para combater o contrabando e o tráfico de drogas e armas na fronteira. Iniciada na quarta-feira da semana passada, a blitz confiscou, até o meio-dia de sexta-feira, US$ 1,2 milhão em mercadorias de sacoleiros.
A principal exigência dos manifestantes para liberar a ponte era o abrandamento da fiscalização, principalmente com a retirada do Exército das operações. Ainda na madrugada de sábado, horas antes do início do bloqueio, o 34º Batalhão de Infantaria Motorizado, com sede em Foz do Iguaçu, recolheu ao quartel os 400 soldados que participavam das fiscalizações.
Em entrevista anteontem, a delegada-substituta da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Eliane Kipgen Vieira, havia garantido que a fiscalização seria mantida ‘‘em ritmo normal’’ quando houvesse o desbloqueio da ponte. Ela não quis informar se vai continuar requisitando o apoio do Exército para as operações. Ontem, a delegada não foi encontrada para confirmar se a decisão será mantida.
A Folha apurou que não houve qualquer negociação entre a Receita e os manifestantes e que as megaoperações deverão ser mantidas. ‘‘O Exército só não estava ajudando agora por falta de necessidade’’, afirmou um agente da Polícia Federal. Se o rigor das operações se mantiver, os paraguaios ameaçam retomar o bloqueio na Ponte da Amizade.
Segundo o secretário de Turismo de Ciudad del Este, Mauro Céspedes, os manifestantes decidiram encerrar o protesto porque acreditam que não haverá mais atuação militar nas fiscalizações e também porque a fronteira obteve do governo paraguaio o comprometimento de que ele vai acompanhar as negociações de interesse da região nos encontros técnicos do Mercosul.
Após a reabertura da ponte, as lojas de Ciudad del Este, que permaneciam fechadas desde sábado, reabriram. Em poucos minutos, ficaram lotadas de compristas, principalmente sacoleiros que aguardavam no outro lado da fronteira. Segundo o Centro de Comerciantes e Importadores de Ciudad del Este, o prejuízo do comércio da cidade chegou a US$ 80 milhões desde o início da megaoperação. (Colaborou Lúcio Flávio Moura)

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