Paraguai prende mais três acusados
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sexta-feira, 25 de julho de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
A Polícia Nacional do Paraguai prendeu anteontem três chineses suspeitos de pertencer à máfia chinesa, organização criminosa especializada em extorquir comerciantes de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu. Zhao Junming, de 28 anos, Yang Yuan Quing e Lei Wei Hua, ambos de 21 anos, foram abordados por agentes da Polícia Nacional e não possuíam documentos.
O chefe de gabinete, Planejamento e Relações Públicas da Polícia Nacional em Ciudad del Este, Antonio Ibarra Colmán, informou que os três presos serão agora submetidos a reconhecimento por comerciantes chineses vítimas da organização. Colmán disse que a maioria dos mafiosos que vivem na região usa documentos falsos, geralmente de pelo menos duas nacionalidades.
Apenas nos últimos 15 dias, a Polícia Nacional já prendeu quase 40 suspeitos de integrar a máfia chinesa que atua na fronteira. No dia 10, 35 chineses foram presos de uma só vez, quando estavam reunidos em um restaurante do centro de Ciudad del Este. Eles alegaram que participavam de uma festa de aniversário. Segundo a polícia, no grupo havia diversos líderes da organização.
Reportagem publicada no último domingo pela Folha revela que a máfia chinesa movimenta cerca de US$ 9 milhões por mês na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. A organização é acusada de extorquir comerciantes chineses que atuam em Ciudad del Este - sob ameaça de sequestro e morte -, cobrando porcentagens em dinheiro do volume de mercadorias que cada um importa. A cidade paraguaia abriga cerca de 8 mil chineses, a maioria vivendo de maneira clandestina.
A polícia paraguaia atribui à organização o assassinato de pelo menos seis comerciantes chineses de Ciudad del Este, que teriam se recusado se submeter à extorsão. Como o Paraguai não possui relações diplomáticas com a China, todos os chineses presos em seu território são expulsos do país.


