Paraguai intervém para liberar ponte
Paraguai intervém para liberar ponte
Governo paraguaio decidiu pedir ordem judicial para retirar os manifestantes que obstruem a Ponte da Amizade desde a manhã de sábado
Valmir Denardin
Ney de SouzaManifestaçãoBloqueio reúne cerca de duas mil pessoas que protestam contra ação para conter contrabando e tráfico de armas e drogas O ministro do Interior do Paraguai, Jorge Raúl Garcete, deverá apresentar hoje, em Assunção, um pedido de ordem judicial para a retirada dos manifestantes que, desde a madrugada de sábado, ocupam a Ponte da Amizade, ligação entre aquele país ao Brasil. A decisão foi tomada ontem, depois que o ministro se reuniu com o presidente Juan Carlos Wasmosy.
No início da noite de ontem, a ocupação completou 36 horas. Pela manhã, o grupo passou a liberar, a cada três horas e pelo período de cinco minutos, a passagem das pessoas que haviam ficado retidas nas duas extremidades da ponte. Os únicos veículos que podiam atravessar eram as ambulâncias.
Até o final da tarde, pelo menos cem caminhões, que deveriam buscar mercadorias no Porto de Paranaguá para abastecer o comércio de Ciudad del Este, permaneciam retidos do lado paraguaio. Em Foz do Iguaçu, não havia movimentação de veículos.
O bloqueio da ponte reúne cerca de 2 mil pessoas - entre sindicalistas, pequenos comerciantes e moradores de Ciudad del Este - e começou às 5h30 de sábado. O grupo protesta contra a megaoperação conjunta entre Receita Federal, Polícia Federal e o Exército brasileiro para combater o contrabando e o tráfico de drogas e armas.
Os manifestantes afirmam que só sairão do local quando o governo brasileiro suspender a operação que, entre quarta e sexta-feira da semana passada, apreendeu o equivalente a US$ 1,2 milhão em mercadorias de sacoleiros. A delegada da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Maria Angélica Toledo Castro, afirmou que a operação vai continuar.
Segundo avaliação do Centro de Importadores e Comerciantes de Ciudad del Este, o prejuízo do comércio local desde o início da operação, na última quarta-feira, já ultrapassa US$ 30 milhões.
O prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), atravessou a fronteira ontem para conversar com o governador do Departamento (o equivalente a Estado) de Alto Paraná, Carlos Barreto Sarubi, e com o prefeito de Ciudad del Este, Juan Carlos Barreto (ambos do Partido Colorado). Foi marcada para hoje, às 10 horas, na Câmara de Foz, uma reunião entre as autoridades da fronteira e líderes dos manifestantes. O objetivo é buscar uma solução para a reabertura da ponte. (Colaborou Lúcio Flávio Moura)





