Paraguai envia a Foz 15 suspeitos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Quinze acusados de integrar a máfia chinesa, organização criminosa que possui uma de suas mais fortes ramificações na fronteira entre Brasil e Paraguai, estão soltos na região de Foz do Iguaçu desde quarta-feira. Até ontem à tarde, nenhum deles havia sido preso pela Polícia Federal brasileira.
O grupo de chineses, que estava preso em Ciudad del Este (cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu) desde o último dia 10, foi expulso daquele país ao meio-dia de quarta-feira. Uma equipe do Departamento de Imigração paraguaio acompanhou os chineses até a Ponte da Amizade, que liga os dois países, e os obrigou a cruzar a fronteira, em direção a Foz do Iguaçu.
Antonio Ibarra Colmán, chefe de Gabinete, Planejamento e Relações Públicas da divisão da Polícia Nacional do Paraguai em Ciudad del Este, afirmou que o grupo foi expulso do país depois de ter sido libertado por ordem judicial, devido a falta de provas da ligação deles com a máfia.
Como os chineses estavam ilegais no país, foram encaminhados ao Departamento de Imigração. Colmán disse que eles foram levados até a Ponte da Amizade e obrigados a cruzar a fronteira porque boa parte dos acusados mora em Foz do Iguaçu. O Paraguai não possui relações diplomáticas com a China, o que impediu a extradição do grupo.
O delegado geral da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, Airton Nascimento Vicente, informou ontem que o órgão não recebeu nenhum comunicado oficial da Justiça paraguaia sobre a entrada dos chineses no Brasil. Segundo ele, se os acusados forem presos no Brasil e não tiverem documentação ou visto de permanência no País, serão deportados à China.
Os 15 chineses expulsos na quarta-feira haviam sido presos pela Polícia Nacional junto com outras 20 pessoas da mesma nacionalidade, em um restaurante de comida oriental em Ciudad del Este. Todos eram acusados de integrar a máfia chinesa. Segundo a polícia, o grupo alegou que comemorava o aniversário de uma criança. Mas no local, além dos 35 homens, estavam apenas três mulheres e uma criança.
Dos 35 presos, 20 foram liberados depois de apresentarem documentos paraguaios. Os outros 15, que não portavam documentos, permaneceram presos até a expulsão.
A organização criminosa é acusada de extorquir, ameaçar e matar comerciantes chineses que atuam em Ciudad del Este. Levantamento da Polícia Nacional aponta que a máfia chinesa que atua na fronteira fatura US$ 9 milhões mensais com esse tipo de crime.


