Paradas desde 95, obras de posto são depredadas
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Luka Morais 
Mário CésarEstragoImeciro Lopes com as plantas da construção que foram pisadas e queimadas: Vão acabar com tudoUm posto de saúde que poderia estar atendendo mais de 15 mil moradores da zona leste, conforme indica a placa colocada no local, é alvo da ação de marginais que estão depredando o prédio. As obras foram interrompidas na fase de acabamento, em outubro de 95. O vandalismo é facilitado pela falta de segurança: a Prefeitura mantém um vigia no local apenas das 8 às 14 horas.
Avaliado em quase R$ 150 mil, o prédio do posto de saúde do conjunto Armindo Guazzi estava sendo construído com recursos do Programa Estadual de Desenvolvimento Urbano (Pedu) e da Prefeitura de Londrina, mas a obra foi interrompida por falta de verbas. Se não tomarem providências, vão acabar com tudo, alerta o presidente da Associação de Moradores dos Conjuntos Armindo Guazzi/Giovani Lunardelli, Imeciro Lopes.
Até o vigia José Saturnino Flor se preocupa com o que vem acontecendo no local. Nos últimos três dias, ele conta, o prédio foi invadido por marginais que quebraram vários vidros e janelas, arrombaram portas, arrebentaram fechaduras, queimaram as plantas da construção, danificaram a caixa de fiação elétrica e ainda deixaram as marcas dos pés nas paredes do prédio. Isso aqui não é feito por rapazes, mas por adultos. Eles estão detonando tudo.
Caixas com válvulas de descarga, que estavam guardadas num dos compartimentos, junto com outras peças a serem instaladas nos banheiros, foram deixadas pelos corredores. O vigia não soube precisar se os arrombadores levaram algum material.
Desde novembro de 95 os moradores dos conjuntos Armindo Guazzi e Giovani Lunardelli reclamam do atraso nas obras. Na época, o engenheiro Carlos Basso, da Construtora Avanço Ltda., de Curitiba, que supervisionava o trabalho em Londrina, disse que as obras estavam em ritmo lento, devido ao atraso na liberação de recursos pelo Governo do Estado.
Em abril de 96, os moradores da zona leste fizeram protesto pedindo a conclusão das obras. Os moradores de vários bairros da zona leste são atendidos no posto de saúde do conjunto Ernani Moura Lima. Precisamos deste outro posto porque lá não tem infra-estrutura para atender toda esta gente, afirma o líder comunitário.
O superintendente da Autarquia municipal do Serviço de Saúde, Agajan Der Bedrossian disse ontem à Folha que 14 obras inacabadas, sendo duas totalmente paralisadas por falta de recursos, fazem parte da herança deixada pela administração anterior.
Ele disse que não tem recursos disponíveis para conclui-las mas pretende contatar o Governo do Estado ou tentar recursos municipais. O problema é que iniciaram várias construções, não tiveram recursos para terminar e nós temos que encontrar uma solução, afirma Bedrossian.
Bedrossian criticou o início das construções sem que houvesse recursos para terminá-las. Temos casos curiosos de unidades que até receberam placa de inauguração e estão lá inacabadas, lembrou o superintendente de Saúde, referindo-se à reforma de um posto no jardim Bandeirantes (zona oeste).
O caso de arrombamento ocorrido na construção da zona leste lamentavelmente não é o primeiro e nem vai ser o último, segundo Bedrossian. Sobre as 14 unidades inacabadas, sendo uma no distrito de Irerê, o superintendente acredita que ainda neste semestre será possível concluir parte delas. Estamos sendo cobrados mas é preciso lembrar que não é só a construção, mas tem ainda a questão de equipamentos e recursos humanos.


