Parada interrompida
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quinta-feira, 09 de outubro de 2008
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
O problema no trânsito de Londrina não é novidade. Além da grande frota de carros que praticamente pára o trânsito nos horários de pico, a intolerância, os abusos e a neglicência dos motoristas dificultam ainda mais a maratona que é dirigir no centro da cidade. A falta de vagas para estacionar é outro agravante e, como se não bastasse, há motoristas que param os carros no recuo da parada dos ônibus coletivos, obrigando passageiros a descer no meio da rua.
''Isso é totalmente errado. O motorista sabe que é proibido, estaciona o carro em cima da faixa e fica por isso mesmo. E, para completar não há fiscalização'', diz o estudante André Gomes, enquanto esperava o ônibus na Avenida Higienópolis. ''Eu tenho condições de me locomover com facilidade. E as gestantes, os idosos e cadeirantes, como ficam? Além disso, atrapalha todo o trânsito'', desabafou.
Tendo que manobrar para colocar o ônibus em um espaço de 30 metros, quando há outros carros avançando nesse limite os motoristas de ônibus ficam em má situação. Eles são obrigados a manobrar o ônibus e parar na rua, no caso de algum cadeirante precisar descer. Senão, param em fila dupla para o embarque e desembarque de passageiros, enquanto vários carros vão se aglomerando e congestionando o trânsito.
Segundo o motorista da Grande Londrina, Valdeci Soares, esse problema é frequente. ''Nos bairros a situação não é tão grave, mas no centro da cidade acontece a todo momento. Os motoristas de carros não respeitam o local demarcado, dificultando que paremos perto da guia.'' Ele diz que são vários os perigos, principalmente de colisão traseira. ''Infelizmente, não temos como denunciar esse tipo de infração. Devia haver mais fiscalização'', destacou.
Motorista de ônibus há 25 anos, João Bosco diz que a situação vem se agravando ao longo dos anos com aumento da frota de carros em Londrina. ''O problema é mais grave do que parece. Não só para o andamento do trânsito, mas para a segurança dos passageiros. Quando não conseguimos nos aproximar da calçada, acontece de motociclistas ultrapassarem pela direita e passar no vão. Já vi um passageiro idoso ser arrastado por uma moto'', disse.
Ele lembra que os mais prejudicados são os idosos e cadeirantes. ''Eles têm muita dificuldade em subir no ônibus, pois o degrau é alto. Já no caso dos cadeirantes, é mais complicado ainda. Temos que parar o ônibus, manobrar e ajudar a pessoa a descer.'' O motorista comenta ainda sobre a falta de pintura, placas e galhos de árvores que ultrapassam o limite da guia. ''Em vários lugares falta pintura. Muitas vezes ainda não conseguimos encostar também porque as árvores invadem as ruas e se nos aproximamos há perigo dos galhos ficarem presos no teto do ônibus'', reclamou.
Infelizmente, a recíproca também é verdadeira. Mesmo dispondo de pleno espaço para parar o ônibus, a reportagem da FOLHA flagrou vários motoristas parando em fila dupla e atrapalhando o trânsito. Segundo o diretor de operações da Grande Londrina, Daniel Martins, uma das empresas que oferece serviço de transporte coletivo na cidade, existe um monitoramento externo para constatar possíveis irregularidades. ''Caso o motorista seja visto cometendo alguma infração, ele leva uma advertência e, no caso de reincidência no histórico disciplinar, poderá ser punido.'' Ele ressalta que não há neglicência da empresa e que a mesma investe regularmente em treinamentos, orientação e cursos de reciclagem para os motoristas.


