Cerca de 5 milhões de pessoas, segundo os organizadores, participam ontem, em São Paulo, da 12 Parada Gay, considerada a maior manifestação do gênero no mundo. Além da quantidade de pessoas e do caráter político, já que o evento deste ano teve como lema a luta contra a homofobia, a manifestação na Avenida Paulista também chamou a atenção por atrair casais heterossexuais e pessoas em busca de paquera, música, diversão e até de um dinheiro extra no domingo.
Este foi o caso do camelô Odair José, que aproveitou o evento para tentar vender colares e bijuterias com as cores típicas do movimento gay. ''Estou vendendo bem'', disse ele, que começou a trabalhar assim que a parada começou, ao meio-dia. ''Acho a Parada uma beleza'', declarou.
Quem também tentou lucrar alguma coisa foi Wanderlei da Silva. ''Estou trabalhando e tentando vender alguns óculos de sol'', disse ele. Mas para Silva, o trabalho deste ano não está valendo a pena. ''Esse povo está devagar para gastar'', reclamou. ''Ano passado foi melhor. Acredito que este ano eles vieram meio desprevenidos'', disse ele, gesticulando com as mãos na tentativa de indicar que os manifestantes estariam sem dinheiro.
Quem aproveitou a festa para namorar foi o casal César Alves, administrador, e Leandro Fernando, enfermeiro. ''A gente acha que é uma festa bem legal e aqui todo mundo se mistura. Todo mundo se respeita'', afirmou Alves.
Já a publicitária paulistana Rita Maria de Souza trouxe o marido e o filho para acompanhar o movimento pela primeira vez. ''É um evento onde devemos mostrar que não temos preconceitos. Temos que aceitar que hoje é uma situação cotidiana'', afirmou.
Com sua filha portadora de deficiência física, a cabeleireira Luciana da Cunha Barros esteve na parada para ''passear um pouco'' ''Por enquanto está ótimo. Se continuar assim tranquilo, sem violência, vai ser ideal.''
A PM de São Paulo registrou até às 18h30 cerca de 500 atendimentos médicos e 26 ocorrências policiais, incluindo um atropelamento grave. Segundo o tenente-coronel Paulo Adriano Telhada, a maior parte dos casos se refere ao excesso de consumo de bebida e as ocorrências policiais são quase todas relativas a pequenos furtos e roubos de celulares.
O caso mais grave foi o de um funcionário de um dos trios elétricos, atropelado. O homem, de 57 anos, foi encaminhado para a Santa Casa. O hospital não forneceu informações detalhadas, mas divulgou que a fratura em uma das pernas era grave, que o paciente deveria ser submetido a uma cirurgia.
Por volta das 14 horas, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Joaquim Eugênio de Lima. Um trio elétrico com cerca de 50 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Urbano (MSTU) tentou invadir a Parada Gay e foi impedido pela Polícia Militar.
''Eles não tinham autorização para desfilar e tentaram impedir a passagem de outros trios elétricos e das pessoas que acompanhavam o evento'', informou o coronel Telhada. Quatro integrantes do MSTU foram presos e dois policiais ficaram feridos na confusão.

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