Um grupo de paraaatletas está em campanha para arrecadar recursos com o objetivo de fazer a adaptação de um ponto de ônibus e construir duas rampas de acesso ao Centro de Educação Física e Esporte (CEFE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Eles têm interesse em treinar nas quadras e pistas da instituição, mas não conseguem acessar os locais porque usam cadeiras de rodas.
Segundo o atleta Mario A. Diniz de Oliveira, a prefeitura do campus arcará com a mão-de-obra e os usuários com o material necessário para rebaixar algumas guias próximas ao ponto de ônibus e construir duas rampas de acesso: aos vestiários e banheiros e à pista de atletismo.
Em parceria com alunos do curso de engenharia civil, o grupo fez o levantamento dos materiais, orçados em cerca de R$ 20 mil. Para a obra serão necessários aço, brita, cimento e tinta, além de piso especial para facilitar a locomoção de deficientes visuais.
Vítima de um acidente de carro há pouco mais de três anos, Mario Oliveira foi o primeiro atleta especial a treinar nas dependências da universidade. Ele conta que iniciou o treinamento em março deste ano, com o auxílio de um professor que mantém um projeto paralelo de inclusão de jovens de baixa renda no esporte.
''A gente sofre um acidente mas não deixa de gostar de coisas que fazia antes. Eu sempre gostei de esportes e resolvi voltar a praticar uma atividade física'', explica Oliveira. Ele lembra que comprou a cadeira de corrida no ano passado, mas só a partir deste ano passou a treinar três vezes por semana na pista da UEL, com auxílio de estagiários do curso de educação física.
Outros atletas com deficiência, integrantes da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), se interessaram pela idéia de aproveitar os espaços da UEL para treinar e aderiram ao projeto. Entre eles, o campeão de arremesso de dardos, peso e disco, Edilson Conrado da Silva, que teve 50% dos movimentos do braço esquerdo paralisados depois de um acidente doméstico.
Há um ano, ele aderiu ao atletismo à convite de um colega da Adefil e já participou de diversas competições por todo o País. ''Será ótimo treinar na UEL, onde há estrutura esportiva'', afirma. Os paraatletas da Adefil treinam, hoje, num gramado às margens do Lago Igapó, próximo à associação.
Segundo Mario Oliveira, todos os paraatletas dividem as estruturas com o restante dos alunos da universidade. ''A pior coisa para o deficiente é ter um horário ou local especial. É até um tipo de preconceito'', define. ''Eu mesmo me sinto melhor treinando em meio a todo mundo'', confessa.

Serviço - Interessados em doar materiais ou uma quantia em dinheiro para a construção das rampas de acesso para deficientes físicos no Centro de Educação Física e Esportes da UEL podem falar com Mario Oliveira, no telefone (43) 3377-6510 ou e-mail [email protected]

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