Para vereador, caso não faz sentido
O presidente da Câmara de Vereadores de Cascavel, Misael Pereira de Almeida, disse ontem que foi acusado porque vereadores e políticos foram transformados em ‘‘saco de pancadas’’. ‘‘Somos eleitores, temos que escolher os que achamos melhores e, obviamente, pedimos votos para eles’’, argumenta.
Misael afirma não haver sentido nas denúncias de que os conselhos viraram ‘‘cabides’’ de cabos eleitorais. ‘‘Se fosse assim, cada conselheiro teria que ser cabo de vários vereadores ao mesmo tempo’’. Quanto aos 210 votos para apenas uma entidade, ele diz que a Câmara é ‘‘a mais ampla representação da comunidade’’.
O advogado Antonio de Jesus, ex-promotor de Justiça e membro de uma entidade assistencial com voto, reforça afirmações de Cinara Diesel, que o consultou para fazer as gravações e a denúncia ao Ministério Público. ‘‘O regulamento é mudado a cada eleição para satisfazer interesses políticos’’, acusa. ‘‘Fui procurado por um candidato ao conselho pedindo seu voto dizendo que não poderia ‘perder a chance da boquinha’ (emprego), embora não fosse eu o votante em nome de minha entidade’’, revelou. As campanhas dos candidatos são típicas de eleições políticas, inclusive com distribuição de ‘‘santinhos’’.
Preocupados com o caso, dirigentes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente reuniram a imprensa ontem à tarde. O contabilista Jovani Borges, presidente da Comissão Eleitoral, disse que a eleição não teve irregularidades. Quanto às denúncias de que os conselhos tutelares viraram ‘‘cabide de emprego’’, os dirigentes disseram que a questão foge ao controle.
A candidata derrotada Cinara Diesel apareceu no local, de surpresa, e entregou documento pedindo a revisão do processo eleitoral. Ela revelou que, antes, havia ido à polícia registrar queixa por ter recebido ameaças anônimas por ter feito as denúncias. (P.P.)

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