''Falta vontade política''. A frase, dita e repetida pelo arquiteto e urbanista José Baptista Bortolotti, ex-secretário de Planejamento e ex-diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Londrina (Ippul), justifica porque ações de desenvolvimento integrado estão sendo proteladas há tantos anos. Ele foi convidado pela Avempar a falar sobre sua experiência ao comando da Metronor, a primeira experiência de planejamento regional do Norte do Paraná.
O órgão visava integrar ações no eixo Londrina e Maringá, em 1975. Envolvia 13 municípios, entre Ibiporã e Paissandu. Seus primeiros estudos foram elaborados pelas universidades estaduais de Londrina e Maringá, com apoio do governo paranaense e da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Região Sul (Sudesul).
''Na época, viu-se a necessidade de um órgão capaz de resolver problemas criados pela urbanização da região, que se desenvolvia muito rápido em torno de Londrina e Maringá'', explicou o urbanista. O escritório da Metronor funcionou em Apucarana e abrigava mais de 20 técnicos. A equipe trabalhou em projetos nas áreas de transportes e recursos hídricos, cujas deficiências afetavam, e ainda afetam, o desenvolvimento da região.
Em 1983, com a eleição de um governo de oposição à administração federal, surgiu uma crise política. O impasse resultou na criação da Unidade Administrativa de Subprojetos (UAS), órgão federal com a mesma função do Metronor. Segundo Bortolotti, os recursos diminuiram, faltou interesse dos municípios e tanto Metronor como a ''concorrente'' UAS foram desativados. Bortolotti acredita que agora, pressionados pela falta de recursos, os prefeitos darão à formação de agências de desenvolvimento metropolitano a importância devida. O que não acontecia, segundo ele, no período de existência da Metronor. ''Como me falou um prefeito à época, cada um cuidava de sua aldeia'', ressaltou.

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