Para tudo existe uma técnica
O professor de xadrez Celso Hirashima, 38 anos, afirma que para tudo existe técnica. Esse, segundo ele, é um dos ensinamentos importantes que o Instituto dos Cegos de Londrina repassa aos seus alunos.
No instituto, os alunos aprendem noções básicas que vão desde o aprendizado da locomoção pelas ruas da Cidade, o ir e vir de casa para o trabalho ou para o instituto.
Para esse professor, a desinformação sobre a capacidade que o deficiente tem para viver uma vida completamente produtiva e quase igual a de qualquer pessoa, ainda é muito grande.
Celso Hirashima perdeu a visão na adolescência. Houve um deslocamento de retina, devido a um acidente que sofri. No entanto, a vida não pára. Você só precisa aprender as coisas de um outro modo. Tenho toda condição de enfrentar a vida, como muitas pessoas. Tudo exige técnica e aqui no Instituto, aprendemos a desenvolver algumas para podermos ter uma vida dentro de um padrão o mais normal possível, explica.
Celso Hirashima aprendeu xadrez no próprio Instituto dos Cegos, através de um projeto desenvolvido por alguns professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Eu fui um dos primeiros alunos e fiquei desenvolvendo o trabalho com os demais. Só recentemente resolvi buscar essa atividade como uma opção profissional. Gosto muito de ensinar, conta.
O professor utiliza um tabuleiro de xadrez adaptado para pessoas cegas. A diferença básica é que as peças são encaixadas no tabuleiro, facilitando o tato. Para diferenciar as peças brancas das pretas, as primeiras têm uma cabeça de alfinete pregada na ponta. Paciencioso, Celso explica que, além disso, o tabuleiro é feito em relevo, as casas brancas são mais altas que as casas pretas. O que viabiliza o seu trabalho, sem prejuízo para os alunos.





