A polêmica sobre a contratação de funcionários, pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), sem a realização de concurso público começou no mês passado. A Folha teve acesso à lista das pessoas contratadas, através do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). As contratações ocorridas de janeiro a abril deste ano tinham caráter temporário, com duração de um ano.
Os salários dos contratados variam entre R$ 267 até R$ 796 para quatro turnos de seis horas cada. Os cargos de confiança (23 comissionados) apresentam salários maiores.
Na época em que foram divulgadas as contratações, o Sindserv reagiu contrariamente, pelo fato de alguns secretários estarem falando em demissão de pessoal para reduzir despesas. O presidente da entidade, Gláudio de Lima, sugeriu o remanejamento do pessoal de outras secretarias para suprir as necessidades da Comurb.
O Sindicato desconfiava que as contratações estavam sendo patrocinadas pelo aumento de 25% nas tarifas de ônibus coletivos. Um dos itens que compõem a planilha de custo das empresas é o gerenciamento do serviço, praticado pela Comurb.
A polêmica chegou até a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O promotor Bruno Galatti resolveu pedir informações à Comurb sobre a contratação dos funcionários para verificar se o procedimento foi legal ou não. Galatti também solicitou detalhes como nome, função e salário do contratado. Ainda não a recebeu.
A Comurb justificou as contratações dizendo que eram emergenciais. Segundo Tóffoli, a maioria foi necessária para a criação de um setor de controle e arrecadação, que antes não existia na companhia e se tornou necessário com o fim do contrato com a empresa Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL).
Segundo Tóffoli, foi admitido pessoal para trabalhar principalmente nos terminais de ônibus urbano, fiscalizando horário, catracas e arrecadação. Ele disse que o procedimento teve amparo da lei municipal 6.387, de dezembro de 95. Na ocasião, justificou: ‘‘Se houvesse tempo, a gente faria o concurso. Mas não houve’’.
As contratações, conforme Tóffoli, não influenciaram no novo preço da passagem de ônibus urbano, uma vez que a Comurb já recebe 6% do sistema para gerenciamento. Também disse que não poderiam ser remanejados funcionários da administração direta para a Comurb porque são regimes jurídicos diferenciados.

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