Para sociólogo, é 'esmola' que não resolve a pobreza
''Seo doutor, a esmola ou vicia ou envergonha o cidadão''. A frase do ícone nordestino Luiz Gonzaga é citada pelo professor João Batista Filho, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para criticar os programas governamentais de transferência de renda.
Para Batista, este tipo de programa é um ''tapa buraco.'' ''São situações que não resolvem o problema da pobreza. Não existe coisa que estraga mais a população do que essa esmola'', avalia. O professor fala com conhecimento de causa. Para pesquisas, entrevistou 5.354 famílias de favelas de Londrina. E critica a transferência de renda com base em casos de troca de alimentos por cigarros ou bebidas.
''Isto acontece muito. A gente sabe que pode haver até uma boa vontade em relação às propostas de governo. Mas o que está errado é a política econômica'', constata. A solução, para ele, passaria pela adoção de propostas como orçamento participativo.
Pesquisas que tiveram a participação de João Batista mostram que mais de 93% dos moradores das favelas de Londrina são analfabetos. Trinta e três por cento não sabem ler e escrever por completo e 60% são analfabetos funcionais. Ele rebate a informação que a maioria da população pobre de Londrina não é coberta por algum tipo de programa de transferência de renda. ''Isto é uma propaganda ainda eleitoreira e falsa.''
''A população quer ter a dignidade de ter um trabalho honesto, acesso aos meios de qualidade de vida'', ressalta. Por isso, o sociólogo cobra políticas públicas nos setores de saúde, educação, habitação e emprego.
Ele acrescenta que as bolsas e programas sociais estão muito mais vinculados a uma proposta ''político-eleitoreira do que a mudança estrutural da qualidade de vida da classe trabalhadora. Não chega nenhuma proposta completa de mudança real da qualidade de vida do povo. População não vê chegar nem essas medidas para o futuro'', critica. (F.R.F.)





