A direção do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon/PR) é contra a existência do cargo de juiz classista e apóia sua extinção. ‘‘O sistema de reprentação classista no Brasil só fez aumentar os privilégios de uma categoria, em flagrante prejuízo para toda a população. Os construtores do Paraná concluem pela absoluta desnecessidade dos chamados juízes classistas na Justiça do Trabaho. De fato, a ausência do juiz classista não trará nenhum prejuízo à administração da Justiça no País’’, defende o presidente do Sinduscon, Gustavo Berman.
‘‘Em 1994 a União gastou R$ 203 milhões em pagamentos a esses juízes, dinheiro suficiente para construir dezenas de milhares de casas populares. Somente com os 1.170 juízes classistas aposentados, em 1993 o País gastou R$ 60 milhões’’, afirma o presidente do Sinduscon/PR.
Por outro lado, o diretor de ações trabalhistas do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Grande Curitiba, Salvador Vatrim, defende os juízes classistas argumentando que, devido à atuação deles, 90% dos acordos favoreceram os trabalhadores. ‘‘Os juízes classistas ajudam os julgamentos e as decisões saem mais rápido’’, diz. Vatrim já foi juiz classista em São José dos Pinhais e pretendia ser reconduzido a cargo. ‘‘Hoje ganho menos da metade do que ganhava como juiz classista’’, reconhece.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários do Paraná, Pedro Eugênio Leite, ‘‘o juiz classista não resolve nada, é realmente inócuo, pois a decisão final é do juiz togado.’’ Todos os sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores - mais de 2.000 - não indicam juízes classistas. ‘‘Os sindicalistas que ocupam esta função deveriam estar trabalhando ao lado da categoria e não ficar atrás de status’’, afirma Leite. (E.M.)

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