As ''ciladas'' poderiam ser evitadas pelos lavradores se houvesse uma busca por orientação junto aos representantes da categoria antes das viagens. A análise é do funcionário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uraí e Rancho Alegre Adilson Ramalho Matta. Isto ocorre, segundo ele, porque normalmente eles arrumam trabalho em terras distantes por indicação de amigos.
''A procura sempre ocorre depois. Nestes casos orientamos os trabalhadores a procurar um advogado para mover uma ação contra os responsáveis'', explica Matta. Para ele, a prática de submeter os lavradores a condições semelhantes à escravidão é antiga e persiste por uma combinação de fatores. ''O governo deveria fazer uma comunicação e uma orientação melhor para os funcionários e os trabalhadores deveriam buscar mais informação'', acrescenta.
A Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social (SETP), por sua vez, informou que atua em diversos níveis para viabilizar a permanência dos trabalhadores rurais no Paraná, evitando assim ''aventuras'' em outros Estados. Alguns exemplos, de acordo com a coordenadora estadual do Núcleo de Assistência Social da SETP, Denise Colin, são os programas estaduais e federais de transferência de renda e de assistência social, como o Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, Luz Fraterna e Tarifa Social da Água. Outras iniciativas citadas são os centros de referência de assistência social, presentes em 230 municípios paranaenses, e a atuação das agências do trabalhador.
''Na área do trabalho, buscamos identificar as potencialidades de cada região e promover a formação de grupos solidários de geração de renda, principalmente em regiões onde os indicadores sociais apresentam os piores números'', revela Denise. (F.R.F.)

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