Para sindicato, acidente foi causado por falha na segurança
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segunda-feira, 17 de junho de 2002
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
Não obedecer normas de segurança é uma das principais razões para a ocorrência de acidentes de trabalho, segundo o Ministério do Trabalho. Esta também pode ser a explicação para a ocorrência de dois graves acidentes em Londrina. Na última quarta-feira, o gerente de compras da Construtora Abussafi, Elzio Antonio da Silva, de 33 anos, foi atingido por um feixe de vergalhões de ferro e teve a perna esquerda amputada. No sábado, Flanklin da Cruz Gonzaga e Ailton de Albuquerque Júlio tiveram 80% dos corpos queimados por causa de um incêndio em um açougue no centro.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Denilson Pestana, normas de segurança deixaram de ser obedecidas no caso do acidente que aconteceu na obra da Construtora Abussafi. A calçada onde os operários estavam trabalhando na Rua Uruguai, segundo ele, deveria ter sido interditada e sinalizada antes que o ferro fosse descarregado.
Pestana encaminha hoje para o Comitê de Investigação de Óbito e Amputação do Estado do Paraná uma solicitação de investigação desse acidente. De posse do laudo do comitê e com a caracterização de que faltou segurança, vamos entrar com uma ação jurídica contra a empresa, disse. No dia do acidente, o dono da construtora, o vereador João Dib Abussafi Filho (PRTB), garantiu que o operação foi feita com toda a segurança. Ontem, ele não foi localizado.
No caso do incêndio, normas de segurança para armazenamento de gás podem não ter sido obedecidas, segundo o Corpo de Bombeiros. De acordo com o chefe do setor de vistoria, tenente Roberto Geraldo Coelho, mesmo que o açougue não fizesse revenda de gás seria necessário obedecer normas, como a construção de uma gaiola ou um local isolado para armazenamento. Os botijões devem ficar a uma distância mínima de três metros de qualquer ponto que possa causar ignição.
No dia do incêndio, os bombeiros retiraram do interior do açougue pelo menos seis botijões de gás, usados no funcionamento de churrasqueiras. Segundo o cunhado do proprietário do açougue, Cícero de Oliveira, o local foi reformado recentemente e estava dentro do contexto de padrão de trabalho, de acordo com normas dos bombeiros.
A Polícia Civil de Londrina deve instaurar inquérito para apurar as causas dos dois acidentes. Depois disso é que o Ministério do Trabalho, segundo o subdelegado do Trabalho em Londrina, Fernando Roque, deve emitir laudo sobre os acidentes. De acordo com dados de 1998 da Secretaria de Estado de Saúde, ocorrem em Londrina 183 acidentes de trabalho por ano.


