Para sensibilizar sobre a deficiência visual
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 

Você já pensou em como uma pessoa cega conta as gotas de remédio? Como ela aprende a usar a bengala para caminhar? Perguntas como estas podem ser um ponto de partida para as pessoas refletirem um pouco sobre o dia a dia de uma pessoa com deficiência visual. E quem passou pelo Calçadão (área central de Londrina), na quinta-feira (13), teve a oportunidade de aprender essas respostas e até "vivenciar" uma fração da rotina de uma pessoa que não enxerga. Essa foi a proposta de entidades representativas para marcar o Dia Nacional da Deficiência Visual, instituído em 1961.
"Estamos tão focados em nós mesmos que não percebemos mais o outro. Essa ação é ótima para a gente pensar nisso", comentou a estudante Erika Antunes Thomazini, que andou pelo tapete sensorial com os olhos vendados. "É muito difícil. Não consegui identificar todas as texturas", disse.
Além do tapete, as pessoas puderam conferir máquinas de braile, jogos adaptados, soroban, apresentações esportivas, musicais e de dança. A família Marigo participou das atividades representada por João e a filha Daphine, de oito anos. Eles estão entre os 160 alunos do Instituto Roberto Miranda, fundado há mais de 50 anos em Londrina. "Eu enxergo vultos e a Daphine tem alta miopia. Participamos de diversas aulas, como dança, inglês, informática. Para nós, o Instituto não é simplesmente uma escola, mas um lugar de trocas de figurinhas, onde a gente também fortalece nosso psicológico", desabafou Marigo.
Esse apoio emocional, segundo Pedro de Souza, foi o que trouxe um novo sentido para a vida após perder a visão, há cinco anos. "Por conta do diabetes, eu fiquei cego da noite para o dia e minha vida acabou ali. Com a ajuda de familiares e amigos, passei a frequentar aulas que estão me dando autonomia, independência", contou.
Souza é hoje vice-presidente da Adevilon (Associação dos Deficientes Visuais de Londrina e Região) e integrante da banda "Galera do Blackout", formada por alunos da entidade. A Adevilon atua na defesa dos direitos da pessoa com deficiência visual e luta para quebrar preconceitos. "Temos aproximadamente dois mil cegos em Londrina e região. A gente pede mais respeito e vontade política. A cidade precisa avançar muito na questão de inclusão e acessibilidade", destacou.
O evento contou também com equipes do CAP (Centro de Apoio Pedagógico para atendimento às pessoas com deficiência visual) de Londrina, CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Hoftalon (Hospital dos Olhos de Londrina), NAC (Núcleo de Acessibilidade) da UEL e alunos do curso de Engenharia Civil da Unifil.



