Na semana passada uma massa de ar quente vinda do Norte do país provocou muita chuva e relâmpagos em Londrina. Em dois dias, a cidade foi atingida por 850 raios. Uma dessas descargas elétricas deixou a Rádio UEL FM fora do ar. O raio destruiu o cabo de conexão do estúdio com a sala do transmissor e queimou a mesa de som.

Esta é segunda vez no ano que um raio atinge os cabos de transmissão e em 2015 outros cinco raios provocaram prejuízos à rádio. A prefeitura do campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) fará uma avaliação técnica do sistema de para-raios do entorno da emissora. O campus sofre com as descargas elétricas. A incidência é maior na região do Centro de Ciências Agrárias (CCA), por ser uma área mais alta.

Mas ter um para-raios não significa proteção aos aparelhos eletrônicos. "Os para-raios são para proteger a estrutura do prédio e as pessoas. Eles reduzem a chance de queima dos equipamentos, mas não evitam 100%", comentou o engenheiro elétrico Luiz Moacyr Spagnuolo, especialista em projetos de sistema de proteção de descargas atmosféricas (SPDA), popularmente conhecido como para-raios.
Ele contou que outras duas emissoras da região também tiveram equipamentos danificados por causa de raios.

Spagnuolo reforçou que os para-raios servem para proteção das edificações, das pessoas e animais. Ele funciona como um condutor, que vai canalizar a descarga elétrica para a terra e se dissipar com segurança.

A instalação do sistema é normatizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas e foi atualizada no ano passado. A norma traz uma série de cálculos que permitem que os engenheiros avaliem a necessidade ou não de instalação do para-raios. Spagnuolo, afirmou que hoje as edificações já são feitas com o sistema, inclusive as residências.

Mas nem sempre foi assim. Até meados da década de 1990, a instalação era feita por fora da casa e a exigência do para-raios era menor. Só prédios muito altos adotavam o sistema.

Hoje, a norma permite a utilização da estruturas do prédio, como um pilar por exemplo, para os condutores. Isso representa mais economia na construção e um melhor aspecto visual. O projeto de instalação e manutenção precisa ser assinado por um engenheiro elétrico, que emite um laudo técnico. A fiscalização desse laudo técnico fica a cargo do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Parana (Crea-PR).

MANUTENÇÃO
O coordenador da Câmara de Engenharia Elétrica do Crea-PR, engenheiro elétrico Fauzi Geraiz Filho, disse que o Crea faz a fiscalização, notifica os síndicos que o sistema está inadequado, mas que cabe aos condomínios a cobrança por melhorias no sistema. Segundo ele, não há um órgão específico que fiscalize o funcionamento e eficácia dos para-raios. O Crea verifica se há ou não o laudo técnico. Para o coordenador, este papel deveria ser do Corpo de Bombeiros.


O Corpo de Bombeiros explicou que durante a vistoria verifica se o sistema de para-raios não interfere no projeto de prevenção de incêndio. Por exemplo, o aterramento tem que ficar no mínimo três metros de distância da central de gás. Porém, não faz a vistoria do para-raios em si.

O Crea orienta que a manutenção deve ser feita a cada cinco anos em edificações residencias e comerciais, de três em três ano, no caso de hospitais, escolas e locais de grande concentração de pessoas.

RANKING
De acordo com os dados do grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a incidência de raios em Londrina é alta, mas não coloca a cidade no topo da lista de municípios com maior número.

A média de Londrina é de 7.84 por km2/ano, ou seja, 12.943 raios por ano, pouco mais da metade do volume que atinge Foz do Iguaçu (Oeste), primeira no ranking com 14,93 por km2/ano. As regiões Central, Centro-oeste, Oeste e Litoral são mais suscetíveis aos raios. o Paraná é atingido anualmente por cerca de 2 milhões de raios. No Brasil, são 50 milhões por ano. A cidade com maior densidade é Porto Real (RJ), com 19,6 raios por km2 ao ano.

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