Pára-raios de escolas são alvos de ladrões
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segunda-feira, 02 de outubro de 2006
Vanessa Navarro e Guilherme Borges<BR>Reportagem Local 
Diretores de colégios londrinenses estão preocupados com um novo alvo dos ladrões: os cabos de pára-raios. O Colégio Estadual Marcelino Champagnat (Área Central) amarga prejuízo de cerca de R$ 1 mil depois que um criminoso invadiu o local por dois dias seguidos, na semana passada, e levou mais de 100 metros de fios de cobre da rede de pára-raios.
Um dos equipamentos estava instalado sobre uma caixa d'água, a 20 metros do chão. ''O ladrão veio na última quinta-feira e voltou no dia seguinte, por volta das 2 horas da madrugada. Temos um caseiro, que é policial militar (PM), mas como ele só faz duas rondas durante a noite, não viu o fato'', contou o diretor do Champagnat, Claudecir Almeida da Silva. Ele lembrou que o Colégio Estadual Benjamin Constant, na mesma região, sofreu recentemente o mesmo tipo de crime.
Segundo Silva, a PM comentou que há um grupo especializado no furto de fiação de pára-raios, iluminação de pátios e quadras esportivas de Londrina. ''Isso nos deixa horrorizados, porque nem escolas e igrejas estão sendo mais poupados'', alarmou-se. Ele acredita que somente com um serviço de inteligência da polícia será possível coibir os furtos. ''É preciso buscar os receptadores do material'', apelou.
Telefonia - O furto de cabos de cobre da telefonia também são constantes. Em 2006, o prejuízo da Sercomtel - principal operadora de Londrina - chega a R$ 54 mil, segundo informações da assessoria de comunicação da empresa. Desde 2001, os gastos acumulados chegam a R$ 309 mil.
O mês de setembro foi ímpar. Nos últimos dez dias foram roubados 230 metros de cabos de um mesmo lugar. No dia 20, levaram 150 metros e, no dia 26, mais 80 metros. As ocorrências desse mês somam 11 de 27 casos contabilizados pela Sercomtel, em 2006. ''Infelizmente isto é uma coisa que está acontecendo em todas as cidades, com todas operadoras de telefonia'', destaca o gerente de engenharia da empresa londrinense, Marcos Mana.
Ele analisa que o maior problema é que, além de encarecer o serviço pela reposição dos cabos, existem casos em que órgãos de saúde e segurança ficam afetados. ''Pelas normas da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), temos oito horas para reestruturar o sistema quando o telefone afetado é comercial, 24 horas quando é residencial e duas horas quando é de instituição de saúde e segurança. Isso faz com que tenhamos que manter diariamente, 24 horas, uma equipe de plantão'', esclarece.
Os roubos dos cabos telefônicos costumam ter sempre características semelhantes: acontecem à noite, em lugares isolados. Como o material fica enterrado, normalmente em marginais de rodovias, é difícil ter testemunhas. ''São furtos praticados por adolescentes que cortam, queimam e vendem o cobre para o ferro-velho. A maioria deles tem ligação com o consumo e tráfico de drogas'', assegura o superintendente da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Edson José Sanches Antunes.
Ele afirma que existe uma equipe da Polícia Civil investigando os roubos e que está fazendo vistorias nos ferros-velhos do município. ''A questão é que são os pequenos que compram. Aquela pessoa que vai juntando material na própria casa e depois revende, sob a justificativa de estar sem emprego e renda'', acrescenta.
O gerente da Sercomtel explica que já existe uma lei que obriga as empresas que utilizam o cobre a comprovar a procedência do material e apresentar dados sobre o vendedor. Antunes alerta que a pena para quem for pego recebendo o material roubado é semelhante a de quem furta, variando de dois a quatro anos de reclusão.


