Pára-raio proibido há 10 anos ainda é usado
Osmani Costa
Cerca de 20 por cento dos aproximadamente 2 mil aparelhos pára-raios instalados em Londrina ainda são dos antigos modelos radioativos - que contêm uma pastilha do elemento químico amerício -, proibidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) desde abril de 1989. A denúncia é do técnico em instalação e manutenção de pára-raios Luiz Berti, que trabalha na cidade para uma empresa paulista de engenharia elétrica há mais de 20 anos.
Segundo ele, esta situação pode gerar sérios riscos para a população (que pode ser atingida pelas descargas elétricas dos raios), para o meio ambiente (que pode ser poluído com os restos do produto radioativo), e para os síndicos de edifícios residenciais (que podem ser responsabilizados civil e criminalmente por possíveis acidentes).
Com mais de uma década de uso, estes aparelhos já perderam quase que completamente sua eficácia contra os raios. As pessoas que têm este aparelhos em seus prédios ou residência pensam que estão protegidas, mas não estão. Por isso, o perigo de que um raio atinja estes imóveis é bastante grande, afirma Berti.
Além da morte de pessoas, este tipo de acidente previsível causam danos econômicos aos condomínios, por exemplo, porque certamente a seguradora não cobrirá os prejuízos provocados pelo sinistro que poderia ser evitado com um equipamento eficaz, diz.
O técnico mostrou à equipe de reportagem da Folha vários edifícios - particulares e públicos - que possuem os pára-raios radioativos instalados. Estes aparelhos importados, segundo ele, estiveram na moda nas décadas de 70 e 80, até que a resolução da CNEN suspendeu a autorização para a sua comercialização e determinou que o rejeito radioativo remanescente dos pára-raios desativados fosse recolhido aos depósitos especiais existentes em São Paulo e no Rio de Janeiro.
De acordo com Luiz Berti, os restos radioativos não recolhidos corretamente aos depósitos da CNEN podem causar grandes danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. A questão é muito séria. Os velhos aparelhos estão colocando em risco muitas vidas humanas. E os que são substituídos por novos muitas vezes ficam jogados em cima dos prédios ou vão para o lixo doméstico dos condomínios. O técnico aconselha a substituição dos antigos aparelhos por novos, do modelo Franklin, que custam cerca de R$ 1.500,00. A Câmara de Vereadores de Londrina ainda não regulamentou a resolução do CNEN.





