Pára-raio pode ter causado incêndio
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segunda-feira, 22 de abril de 2002
Katia Michelle Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo sem a divulgação do laudo técnico que vai apontar as causas do incêndio no barracão da Electrolux, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), na última quinta-feira, especialistas afirmam que a instalação irregular do pára-raio do imóvel pode ter causado o acidente. O fogo teria sido provocado por um raio e só foi controlado três horas depois de iniciado. O incêndio destruiu o depósito de 8 mil metros quadrados, que guardava 33 mil geladeiras da Electrolux. Os prejuízos financeiros ainda não foram divulgados, mas estimativas deram conta de um prejuízo de R$ 18 milhões.
Segundo o diretor da Cornelsen Empreendimentos empresa especializada em pára-raios, Patrik Cornelsen, pelas imagens do barracão divulgadas nos jornais e televisões foi possível verificar a irregularidade. O pára-raio só tinha captor para uma descida, o que não é recomendado para esse tipo de construção. verificou Cornelsen. Ele explica que este tipo de instalação não dá cobertura a um imóvel nas condições do depósito incendiado.
Procurada pela reportagem, a Electrolux informou que só vai se pronunciar sobre o assunto depois da divulgação do laudo técnico que está sendo realizado pelos peritos da empresa. O laudo não tem previsão de conclusão.
A irregularidade na instalação do Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (pára-raios) é mais comum do que se imagina. De acordo com a Cornelsem Empreendimentos, 90% das instalações de pára-raios em Curitiba estão fora da norma técnica que regulamenta esse sistema, a NBR 5419. A norma sofreu alterações no ano passado, mas segundo o diretor da empresa, poucas construções se adaptaram às mudanças.
O ex-professor de física especializado em pára-raios Rui Carlos Braga, salienta que o problema poderia ser amenizado com a criação de um órgão para fiscalizar esse tipo de instalação. A norma regulamenta, mas não pune quem não a segue, enfatiza. O projeto tramita na Câmara Municipal de Curitiba determina a Secretaria Municipal de Urbanismo como órgão competente para fiscalizar as instalações, além de regulamentar o serviço. O projeto é de autoria do vereador Jairo Marcelino (PSB), mas ainda não tem parecer favorável.


