Para quem apanhou da PM, cicatriz está aberta
Entre os servidores do HU que estiveram no histórico protesto realizado na última quarta-feira no Centro Cívico de Curitiba, as cicatrizes da violenta ação repressora da Polícia Militar continuam abertas. A psicóloga Carla Maria Pagnossim esteve lá e relatou sua experiência. "Nós estávamos lutando pela tentativa de fazer o Governo Estadual recuar dessa decisão absurda de mexer no fundo (previdenciário), que já é deficitário porque os governantes nunca depositaram as partes que lhe cabiam. Em três ou cinco anos nós não teremos mais fundo", afirmou. "Eu não acreditei no que fizeram com a gente. Eram mais de 3 mil homens contra 400 pessoas. Os policiais fortemente armados com espingardas, cassetetes, bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta. A nossa arma era um apito verde", descreveu Carla, visivelmente emocionada. Ela prosseguiu: "Nós ouvíamos os cachorros latirem atrás, e enquanto nos afastávamos, os policiais avançavam sobre a gente. O objetivo deles não era afastar a gente da Assembleia Legislativa, mas nos expulsar da praça Nossa Senhora de Salete, que é enorme. Nada justifica eles lançarem bombas por mais de duas horas sobre a gente. Eles deveriam ter avisado os pais das crianças do Centro de Educação Infantil que ficava ao lado a não levarem elas para a escola", criticou.
OURO VERDE
Em frente ao Teatro ouro Verde (centro), outros manifestantes protestaram ontem pela manhã contra a repressão feita na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico. Felipe Godeny, técnico de suporte de uma empresa privada, organizou a manifestação para mostrar que existem eleitores que não aceitam as atitudes tomadas pelo governador Beto Richa (PSDB) após a reeleição. "Eu acho lamentável. Ele poderia ter tomado uma atitude para evitar tudo isso, já que era previsto que tudo isso poderia acontecer, porque é comum algum manifestante querer derrubar grade e querer entrar lá dentro (da Assembleia Legislativa). A polícia deveria se comunicar com os manifestantes e evitar esse tipo de violência", apontou. Os manifestantes colaram cartazes nos tapumes da obra parada do teatro. "Escolhemos o Ouro Verde para protestar porque ele é símbolo da ineficiência do Estado." (V.O.)





