Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A funcionária pública federal Giuliana Mara dos Santos Paulo, 26 anos, disse ontem que seu marido, o segundo-sargento da Aeronáutica Pedro Paulo Júnior, 30 anos, não tinha a instrução necessária para saltar sozinho de pára-quedas. Paulo Júnior morreu em acidente no último sábado, durante salto em Foz do Iguaçu.
Segundo Giuliana, era o terceiro salto que seu marido executava – o primeiro desacompanhado do instrutor. ‘‘Ele ainda não dominava a técnica de saltos, que é um esporte muito perigoso e exige conhecimento’’, afirmou. ‘‘Acho que a pouca experiência e o pânico causaram sua morte.’’ As causas do acidente ainda não estão esclarecidas (veja texto ao lado).
Giuliana presenciou, a distância, o acidente. No sábado, ela acompanhou o marido até a Estância Hércules, uma pista de aviação particular localizada no bairro Porto Belo (região norte de Foz do Iguaçu), de onde decolam os aviões que levam os alunos do curso de pára-quedismo Costa Oeste, de propriedade do tenente do Exército Geremias Batista.
‘‘Só vi ele caindo com a mochila nas costas, sem que os pára-quedas abrissem’’, contou a viúva. O vento desviou a rota prevista e Paulo Júnior caiu a cerca de um quilômetro do local previsto, em uma área da Hidrelétrica de Itaipu. O salto, de um avião de pequeno porte, ocorreu a uma altura de 3 mil metros.
Giuliana disse que o marido começara a praticar o esporte havia apenas seis meses. No segundo salto, há três meses, ele caiu sentado, machucando a bacia e o pé. Paulo Júnior, que era operador de radar no Aeroporto de Foz do Iguaçu, pagava R$ 75,00 por salto – preço para quem não possui equipamentos.
Em entrevista coletiva, Batista, 33 anos, afirmou ontem que Paulo Júnior recebeu o tempo necessário de instrução teórica – 12 horas-aula – antes de iniciar as aulas práticas. Segundo ele, o acidente provavelmente ocorreu porque o aluno fez um procedimento errado durante o salto.
De acordo com Batista, Paulo Júnior teria acionado o pára-quedas principal – que abriu apenas parcialmente – e, logo em seguida, o de reserva. Isso teria provocado o entrelaçamento dos dois equipamentos. As normas de pára-quedismo mandam, em caso de problema, descartar o equipamento principal e aguardar o acionamento automático do reserva.Sargento praticava o esporte havia apenas seis meses e saltava pela 3ª vez; instrutor diz que preparação era suficiente
Fotos Christian RizziTRISTEZAGiuliana Mara dos Santos Paulo, viúva do segundo-sargento Pedro Paulo Júnior, no destaque: ‘‘Acho que a pouca experiência e o pânico causaram sua morte’’

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