Pára-quedismo: radical por natureza
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segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O pára-quedismo é um esporte que envolve altura, muita altura, e velocidade, muita velocidade. Sendo assim, os riscos saltam junto com o pára-quedista. Mas, mesmo diante de tanta radicalidade, quem tem experiência nos céus aponta que o maior componente de risco para o praticante é ele próprio, porque a maioria dos acidentes acontece com o pára-quedas já aberto e por falha humana.
No último final de semana, um acidente registrado em Londrina deixou um praticante em estado grave no hospital (leia mais nesta página) e reacendeu a discussão sobre os riscos do esporte. Fábio Pelayo, 35 anos, é proprietário da Fly Escola de Paraquedismo e acompanhava o paulista Carlos Alberto Rascov Júnior, 31 anos, quando houve o acidente. Ele contou que o colega era experiente tinha cerca de dois mil saltos mas teria tido um momento de descuido. ''Era o primeiro salto dele e foi uma fatalidade causada não por falta de competência mas por um erro humano'', lamentou. Rascov Júnior teria feito uma curva muito próxima ao solo e, quando seu pára-quedas mergulhou, ele acabou se chocando contra o chão.
Com a experiência acumulada em mais de 1,6 mil saltos e com recorde sulamericano de formação - 80 pára-quedistas unidos em queda-livre - no currículo, Pelayo apontou que mais de 70% dos acidentes acontecem com o equipamento aberto e envolve praticantes que somam entre 50 e 500 saltos. ''É um esporte com alto potencial de risco, por envolver altura e velocidade. Todos procuramos seguir as normas de segurança e usar os equipamentos corretos, mas costumamos dizer que perigoso não é o pára-quedas: perigoso é o para-quedista'', comentou.
Por isso, segundo Pelayo, os cursos de formação são exigentes. Os iniciantes enfrentam 10 horas de curso teórico e fazem os primeiros sete saltos acompanhados por um instrutor. Depois, até o 30º salto os praticantes continuam sendo orientados, via rádio, por instrutor que permanece no solo e vai passando as instruções. Só então o praticante começa a saltar sozinho com pára-quedas de 300 pés quadrados, que são os maiores do mercado e pousam com velocidade aproximada de 10 km/h. Conforme vai ganhando experiência, o tamanho do pára-quedas diminui para ganhar em radicalidade. Outra dica do professor é procurar escolas homologadas na Federação Brasileira de Pára-quedismo.
Praticante há nove anos, o estudante de Educação Física, Márcio Yuge, 32 anos, começou a saltar motivado pela experiência que teve quando prestou o Serviço Militar. Ao deixar o quartel entrou numa escola de pára-quedismo e, desde então, sempre que pode dá um tempo das aulas e esfria a cabeça em queda livre. Hoje já soma 490 saltos. Em todo esse tempo de aventuras, ele disse que nunca sofreu nenhum acidente que merecesse atendimento médico. ''No pouso sempre tem um escorregão, um pisão em falso, mas nada de extraordinário'', afirmou.
Yuge considerou o esporte seguro mas lembrou que o risco existe. ''Não é usual você sair de um avião e se jogar em queda-livre, mas com os equipamentos disponíveis hoje em dia é muito seguro'', garantiu. Mas porque deixar a segurança da terra firme para se aventurar no céu dependurado num pedaço de tecido em alta velocidade? ''É pela diversão, pelo desafio do salto. Isso é que vem em primeiro lugar.''


