Quem nunca precisou chegar a um endereço, mas se perdeu em meio às tantas ruas - algumas inclusive bem parecidas. Pode ser morador da cidade ou visitante, muitas vezes a única forma de retomar o rumo certo é pedindo informações. Em uma época em que o GPS (sistema eletrônico que mostra o caminho certo em uma tela) alimenta o sonho de muita gente, uma empresária de Londrina encontrou a solução em uma forma bem antiga: pintando um mapa na parede da padaria que possui.
A iniciativa foi tomada há três anos e tem facilitado a vida de muita gente, já que na região há muitas clínicas médicas. ''O pessoal passa muito aqui, e sempre perguntava onde fica alguma rua'', diz a empresária Joice Parra, proprietária da padaria Suissa.
Com aproximadamente 30 anos, o prédio comercial, que fica na Avenida Souza Naves, no Centro de Londrina, sempre serviu como um lugar onde as pessoas poderiam tirar dúvidas, principalmente as que buscam tratamento em Londrina. ''Quando comprei a padaria, tinha uma propaganda naquele lugar. Mas como aqui era ponto de referência, resolvemos mudar. Agora quando nos perguntam o caminho, não há erro.''
O mapa chama a atenção de quem frequenta o local. Quando alguém pede uma informação, as atendentes já apontam a carta na parede. ''Achei aquilo interessante'', conta o ex-bancário Jorge Muryo Kumagai. ''Moro na região faz algum tempo e mesmo assim encontrei uma rua do bairro que nunca tinha ouvido falar'', comenta.
Zelo
Conhecer bem as ruas de uma região e ter a capacidade de indicar a rota mais correta torna algumas pessoas em verdadeiros guias informais. É o caso do recepcionista João Batista, que trabalha no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), na Área Central de Londrina. Ele indica aos pacientes onde eles deverão ser atendidos, seja dentro ou fora do prédio.
Com um público formado em sua maioria por idosos, a sinalização e os encaminhamentos devem ser dados com a maior clareza possível. ''Todo atendimento em qualquer área, e principalmente na saúde, requer muito cuidado'', pondera.
O zelo demontrado pelo recepcionista ao atender quem busca o auxílio do Cismepar é notado até mesmo por seus chefes, mas segundo Batista isso tem uma explicação. ''Quem nos procura aqui é, em principalmente, idoso e eu procuro tratar essas pessoas como se fossem meus pais, porque essa pessoal precisa de um cuidado. Isso eu vejo como uma obrigação.''
Hoje o consórcio tem uma média de 1,5 mil atendimentos por dia. Muita gente chega ao local, por engano. ''Pelo seu tamanho, o Cismepar se tornou uma referência para quem vem de fora. O paciente acha que tudo vai acontecer aqui no Consórcio'', afirma a diretora-executiva do Cismepar, Ogle Beatriz Bacchi.
A satisfação que o usuário do serviço encontra ao ser atendido por um ''amigo'' serve até mesmo como modelo para outros setores do Consórcio. ''O exemplo de dedicação e a alegria que o Batista demonstra é o seu diferencial e a gente gostaria de ter muitos Batistas por aqui'', brinca Ogle.

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