Para algumas professoras de Londrina ouvidas pela Folha, alfabetizar crianças, jovens e adultos é tarefa das mais gratificantes e também cheia de tortuosidades que devem ser enfrentadas para que o processo ocorra o mais natural e eficiente possível.
Para a professora Cristiane Paludeto, da escola de educação infantil Educativa, na Zona Oeste, a ansiedade dos pequenos muitas vezes compromete a alfabetização, já que eles querem aprender a ler e a escrever de uma só vez. ''Trabalho com eles sempre lembrando dos degraus de uma longa escada: o último é a etapa em que estão alfabetizados. Os demais são as atividades lúdicas e reflexões que eles desenvolvem para se chegar ao topo'', explica. Para a educadora, porém, tão importante quanto o papel da escola é o dos pais. ''Falta que a família transmita e ensine seus valores aos filhos, já que não raro eles vêm à escola sem a consciência de que não estão aqui como estão em um playground'', alertou.
Para a colega da escola municipal José Garcia Villar, Sônia Maria Chaves, alfabetizadora do EJA e das séries iniciais do ensino fundamental, a diferença básica está na novidade, no lúdico, em relação à experiência vivida. ''Para a criança é tudo novo, ela tem mais sede de aprender, de ler, de fazer operações matemáticas e escrever. E tudo em um dia só. Os adultos, por sua vez, têm uma assimilação mais difícil, pois muitos vêm de um dia todo de trabalho direto para a escola, com fome e cansados'', conta. Questionada sobre os resultados, nessas condições, ela é otimista: ''Só pelo fato de ser dessa forma já mostra que eles têm uma vontade imensa. E vê-los superar essas dificuldades emociona qualquer educador'', conclui.

mockup