PARA POUCOS - Profissões que (quase) ninguém gostaria de ter
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Esqueçam as profissões clássicas como advogado, contador, padeiro, motorista. Nesta reportagem feita em Londrina só há lugar para ocupações que no palavreado popular poderiam muito bem ser classificadas como ''casca grossa''. São atividades que nem todo trabalhador desempregado estaria disposto a exercer, mas que alguns mais corajosos encaram com entusiasmo, pois sabem que são imprescindíveis.
O leitor pode nunca ter parado para pensar, mas é preciso que alguém encare os perigos de trabalhar em uma linha de alta tensão ligada, por exemplo, para que todos possam assistir tranquilamente seu programa favorito na televisão. Quer mais? O recolhimento dos sacos de lixo que milagrosamente somem da frente das casas, estejam eles nas condições que estiverem, também depende do trabalho de pessoas que não se negam a fazê-lo.
Ainda não está satisfeito? Pois bem, para que as pessoas tenham a garantia de que os presos por crimes que praticaram vão cumprir suas penas enquanto a Justiça assim exigir, muitos pais de família precisam manter os condenados sob vigilância constante nas prisões. Mais um exemplo para acabar com o preconceito: sem o trabalho dos auxiliares de necrópsia que atuam no Instituto Médico Legal (IML), provavelmente, os médicos legistas não teriam como dar conta de avaliar rapidamente os muitos cadáveres que chegam diariamente na instituição.
Os trabalhadores que exercem essas profissões garantem que para atuar nas áreas citadas é preciso, acima de tudo, coragem. O aspecto financeiro, em alguns casos, até é atraente mas na grande maioria das vezes o salário não é tão animador a ponto de ser um incentivo irrecusável. Contar com o apoio da família nem sempre é fácil. E as mães, coitadas, normalmente são as que mais sofrem com o trabalho dos filhos.


