Para piloto, falta segurança aos carros
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quarta-feira, 08 de agosto de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O número assustador de pessoas que morrem por ano no Brasil vítimas de acidentes de carro continua a ter ligação direta com a imprudência dos motoristas, mas este não é o único motivo. Para o piloto de testes Cesar Urnhani, que trabalha há quase 20 anos com pesquisa e desenvolvimento de itens de segurança na indústria automobilística, a ausência de tecnologia na maioria dos modelos lançados no Brasil é responsável por boa parte das mortes registradas por ano nas ruas e estradas.
O piloto diz não ter dúvidas de que se os carros viessem pelo menos com air bag e freios ABS (Anti-lock Brake System) haveria uma redução de pelo menos 40% nos acidentes. Atualmente 34 mil pessoas morrem por ano no País, no local do acidente. Outras 90 mil são encaminhadas em estado grave no hospital e morrem até duas semanas depois.
''O pior é que a maioria das vítimas são jovens, com idades entre 18 e 26 anos. Mas não adianta só falar que carro é perigoso. Precisamos brigar para que os itens de segurança básicos (além do air-bag e dos freios, ele cita as barras de proteção nas portas) se tornem obrigatórios'', defende Urnhani. O piloto lembra que os problemas com trânsito são mundiais, mas alguns países, como a Alemanha, já conseguiram diminuir os indíces de acidentes nos últimos anos investindo neste tipo de medida. ''É um país do tamanho do Estado de São Paulo, que tem o mesmo número de carros que o Brasil, e mesmo assim registrou este avanço. É um exemplo a ser seguido.''
Urnhani, que trabalha para a Pirelli e para a BMW, calcula que 90% dos carros comercializados atualmente no Brasil são desprovidos dos equipamentos de segurança mais modernos. ''São verdadeiras roletas russas'', define. Ele lembra que na briga para ganhar mercado, as montadoras de carros 1.0 investem em tecnologia para melhorar o rendimento do motor, mas não investem no quesito segurança. Os freios ABS, por exemplo, capazes de frear e ao mesmo tempo manter a dirigibilidade (o carro não trava e continua respondendo ao comando da direção durante a frenagem), ainda são considerados um acessório de luxo.
''As tecnologias estão se tornando cada vez mais acessíveis, mas não há interesse político em adotá-las. A população é que deve exigir e mudar este quadro. Temos que parar de olhar as estatísticas como simples números, e enxergar a vida das pessoas que estão por trás delas. O carro deve ser meio de vida e não de morte'', argumenta Urnhani, lembrando que o primeiro passo para a incorporação de mais tecnologia de segurança nos carros brasileiros será a inauguração, no final deste mês, de uma fábrica de freios ABS no País.


